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Autocomando

Nos mais diversos meios, nos quais as pessoas desejam evoluir, tem-se falado muito em autoconhecimento.

Comecemos agora a falar em autocomando, aquisição fundamental tendo em vista o novo período para o qual já estamos começando a transitar, ou seja, passando de “provas e expiações” para “mundo de regeneração”.

Temos sido seres levados por impulsos, sempre sujeitos ao comando do homem velho que nos domina, domínio esse que entrava nosso crescimento, gerando diversas dificuldades neste caminho de retorno ao Pai.

Mas agora, no limiar de uma era nova, muitas coisas devem mudar, a começar por modelos que erigimos como caminhos, metas e metodologias a nortearem nossos esforços de crescimento.

Uma dessas metas novas a serem buscadas, talvez a mais fundamental de todas, certamente está no autocomando.

Em nossa mente temos poderes fabulosos em latência; então, se começarmos a procurar entendê-los, a conhecê-los (ao menos até os limites da nossa capacidade) e a utilizá-los em benefício da nossa evolução, os ganhos serão extraordinários.

Certamente, no que se refere ao conhecimento e aplicação dos recursos da mente e do espírito, não existem receitas prontas. Cabe a cada interessado mergulhar dentro de si mesmo, em mergulhos investigativos, observando, analisando, criando e experimentando procedimentos, visando encontrar meios que poderão ir capacitando-o a autocomandar-se.

Mas sempre podemos ter indicações, algumas orientações, um apontar de rumos, que por vezes nos são oferecidos pelos que caminham adiante de nós.

No livro Força Soberana, pequeno apenas no tamanho, o espírito Miramez, no capítulo intitulado As Miniconsciências diz:

“Sob a regência da mente central no corpo físico, encontram-se ligadas a ela por lei que assegura uma organização, trilhões de vidas menores, programadas para o serviço da harmonia do vaso físico. Elas são as células.

Pode-se dizer que são miniconsciências, como uma colméia em trabalhos incessantes, que causam admiração até à inteligência dos sábios. Essas células, que são formadas por moléculas, e essas de átomos, são todas invisíveis ao olho humano; no entanto, formam a base de vida do instrumento de carne, onde o espírito imortal se ajusta para o grande desempenho no campo evolutivo da vida. As células, como motores vivos, formam órgãos, e cada um deles tem um comando particular, que podemos denominar de mente instintiva, também obediente ao egrégio poder do espírito. Porém, em muitos casos, essas mentes instintivas programadas para tal desempenho fazem seu trabalho sem a participação da alma. Somente quando essa tem a noção do mundo em que se encontra e a sua inteligência avança em todos os conhecimentos na sua área de realização, então ela começa a comandar toda a sua nação com soberbo poder, dando ordens e sendo obedecida, por leis que lhe garantem a soberania. É de se notar o quanto vale o conhecimento, desde quando ele esteja sob o comando venerável da força que emana de Deus na sua totalidade e se dinamize, se esse é o termo, nas mentes menores dos homens, para que se harmonize todo o cosmo orgânico e psíquico. (...) Todas as mentes instintivas são escravas do espírito, como igualmente as microvidas, a que denominas de células. Elas são obedientes e podes comandá-las com simples sugestões na suavidade da fé. (...) Começa o dia falando com teus órgãos, na alegria que os raios de sol te possam oferecer. O magnetismo da tua palavra, se for pura e moralizante, poderá rejuvenescer todo o teu corpo. Essa deverá ser uma das medicinas para o futuro.”

Assim como Miramez, muitos outros encarnados e desencarnados vêm, ao longo do tempo, falando sobre os poderes da mente e, hoje, a aquisição de autocomando se torna cada vez mais necessária, tendo em vista que o psiquismo do ser humano desta época encontra-se muito conturbado, em razão deste período apocalíptico, no qual tudo que está oculto está vindo à tona (apocalipse significa revelação).

Diz Miramez que nossa consciência profunda é um arquivo imensurável na profundidade da alma, uma gigantesca biblioteca consciencial, contendo os registros de todo o nosso passado.

Sabemos que cada encarnação sofre ressonâncias de determinadas fases e/ou vivências do passado que estão necessitando de reajustes ou de resgates. Essas ressonâncias influenciam nosso clima psíquico, gerando tendências correlatas. É quando então vamos encontrar pessoas com inclinações para a depressão, o suicídio, o mau humor, a falta de fé, a uma vida dissoluta, o desamor e tantos outros valores negativos. Tais tendências podem ser comparadas a um adubo que nutre as raízes da alma gerando o clima psíquico inerente a cada um.

Então, como estamos já no limiar de uma era nova, torna-se cada vez mais urgente trabalharmos o nosso interior, buscando instrumentos capazes de realmente nos ajudar nesse desiderato e o autocomando, sem dúvida, é o mais poderoso de todos. Mas não se trata de uma tarefa fácil nem rápida. É necessário, em primeiro lugar, perguntar a si mesmo se realmente deseja iniciar esse processo; se quer mesmo dar esse passo focado nos meandros da própria mente. Em seguida, caso a resposta seja positiva, eleger esse processo como sendo a sua grande prioridade evolutiva e iniciar o mergulho de que falamos no começo, ou seja, “botar o pé na estrada”.

Vamos a um exemplo prático. Digamos que fulano inicia a sua investigação interior e percebe, às vezes até com certa surpresa, que, bem na intimidade do próprio psiquismo vigora um clima de tristeza, de depressão; que a alegria e o otimismo que demonstra normalmente são apenas máscaras que criou por necessidades próprias.

Que fazer então? Como mudar esse quadro?

Certamente não será fácil porque estamos lidando com algo que está enraizado em nossa alma, mas se estamos acordando para esse fato é porque já estamos maduros para começar a trabalhá-lo.

Podemos, então, sugerir, num primeiro momento, o seguinte procedimento:

Dê a si mesmo uma ordem para relaxar. Algumas respirações profundas ajudam bastante.

Mergulhe então dentro de si mesmo a fim de observar seu psiquismo, prestando atenção nas diversas nuances do seu clima interior, identificando as tendências que gostaria de modificar. De posse desses dados, defina então qual o clima interior que deseja cultivar daí em diante.

Digamos que tenha encontrado, como no exemplo acima, um clima de tristeza, de depressão.

Comece então a transmutar esse clima, assumindo uma postura leve, contente e confiante. Cuide de infundir esse clima tão positivo em todo o seu corpo e em seu psiquismo.

Observação: esse comando deve acontecer sempre na suavidade do amor.

Observe como e em que intensidade o seu ser responde a esse comando; em quais momentos e/ou circunstâncias essa resposta é mais fácil e mais plena.

Todo esse processo (mergulho, observação inicial, comando de transmutação e observação sobre a resposta ao comando) representa o prelúdio de uma produtiva atividade de auto-análise, um primeiro passo importantíssimo nessa busca interior aos recursos que possuímos em latência.

O exercício sugerido, além de representar a abertura de uma fresta para o universo do autocomando, se for adotado como prática constante, levará o praticante a ir transmutando, mesmo lentamente, seu clima psíquico de profundidade com ganhos vultosos em seus processos evolutivos.

Outra ferramenta importante está na imaginação, que é uma espécie de indução mental. Diria que é uma forma talvez ainda rudimentar de autocomando, mas representa poderoso instrumento a serviço da nossa mente.

Pensemos agora numa situação na qual estamos com nosso sistema energético carregado com energias negativas. É natural que nessas condições nosso comando mental não consiga surtir os efeitos desejados por encontrar obstrução nas vias pelas quais trafega até chegar ao destino e, mesmo, em lá chegando, a mensagem da mente já estará algo contaminada pela negatividade das energias através das quais trafegou.

Nesse ponto surge então, com força plena, a necessidade do orai e vigiai, da prece fervorosa, dos sentimentos vibrando no amor e na paz e, também, do merecimento, alcançado pela vivência em prol do bem, através de uma vida útil não apenas a si próprio e aos seus.

Vemos assim como tudo se entrelaça. Inovamos nos processos evolutivos, mas sempre ancorados nos antigos ensinamentos relacionados à fé e ao amor ao próximo com todas as suas implicações.

 

 

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