NOSSO ENDEREÇO DE LUZ...

 

PEDE MUDANÇAS

 

 

O Espiritismo e a transição

 

Todo espírita sabe que a nossa humanidade está vivendo um momento dos mais graves em sua evolução, em trânsito para um novo modelo, uma nova época.

Nas últimas décadas era comum acreditar-se que essa transição seria de curta duração, como se “Deus estalasse os dedos lá em cima” e as coisas acontecessem rapidamente aqui embaixo. Mas, em raciocínios mais acurados, acabou-se entendendo que ela será lenta, obra do tempo e dos esforços dos seres humanos. Esse entendimento veio reforçar o senso de responsabilidade que deve estar presente na consciência de cada espírita, por perceber que sendo partícipe do TODO, é também co-responsável. Assim, precisamos reavaliar nossas posturas para que a nossa presença nos meios e nas atividades espíritas possa ser benéfica e melhor aproveitada pelos nossos maiores da espiritualidade que avalizaram nossa reencarnação, porque, certamente, não viemos à matéria para tirar férias, muito menos para “afagarmos o nosso ego”.

 

 

Bezerra de Menezes fala sobre as três fases do Espiritismo

 

 

Bezerra de Menezes, conforme narrativa do espírito Cícero Pereira no livro Seara Bendita, psicografado pelo médium Wanderley Soares de Oliveira (MG), falando para um auditório com 5.000 espíritos desencarnados e encarnados (na dimensão espiritual), ao término do Congresso Espírita Brasileiro de 1999, ocorrido em Goiânia-GO, disse que o Espiritismo está entrando em sua terceira fase. A primeira, de 70 anos, representou a legitimação da ciência e da filosofia espírita. A segunda, com idêntica duração, foi a da proliferação do conhecimento espírita e a terceira, que teve início junto com o novo milênio, dará lugar à maioridade das idéias espíritas. Será, conforme Bezerra, o período da atitude.

Disse aquele espírito:

“O apego institucional marcou a segunda fase do movimento espírita mundial. Este institucionalismo exacerbado tem sua origem nas heranças psíquicas dos representantes espíritas. A causa deste apego reside no orgulho, manifestado em expressões inferiores, como:

 

inflexibilidade,

perfeccionismo,

autoritarismo,

intolerância,

preconceito e

vaidade.

 

COMO CONSEQÜÊNCIA, ORIGINARAM-SE:

 

o dogmatismo,

a hierarquização e

o sectarismo.”

 

Observa-se nessas palavras uma dureza pouco habitual em Bezerra que denota a importância das suas advertências e orientações. E continua:

“A meta primordial é aprendermos a amarmo-nos uns aos outros, para que tudo o que for criado em nome da causa espírita reflita a essência do espiritismo em nossas movimentações.

  A diversidade é uma realidade irremovível da Seara e seria utopia e inexperiência tratá-la como "joio". Imprescindível propalar a idéia do ecumenismo afetivo entre os seareiros, para que a cultura da alteridade seja disseminada e praticada no respeito incondicional a todos os segmentos.” (Grifos nossos)

A alteridade é um valor que vem sendo colocado pela ABRADE-Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo, como prioridade a ser desenvolvida nos meios espíritas.

Alguns valores da alteridade:

1 - Disposição para aceitar e aprender com os que são e pensam diferente.

2 - Construir a fraternidade apesar das divergências, respeitando-as e procurando aprender com as diferentes opiniões.

3 - Isto não significa conivência, o não questionamento, o não debate, a não discussão saudável, mas sempre respeitando a maneira de ser e de pensar do outro.

 

AS POSTURAS NÃO ALTERITÁRIAS GERAM:

 

a) críticas;

b) discórdia;

c) discriminações;

d) marginalizações;

e) ambientes carregados;

f) queda vibratória;

g) afastamento de companheiros;

h) reflexos negativos em todas as atividades da casa.

 

Na verdade, a alteridade é um valor pouco desenvolvido nos meios espíritas, apesar de sua extrema importância para um convívio fraterno. O mesmo com relação ao amor. A referência é feita ao amor pleno, aquele cuja vivência foi tão recomendada por Jesus.

Temos uma seara espírita mergulhada em desamor (com exceções), abrindo espaços para:

 

a) disputas pelo poder;

b) vaidade;

c) ditaduras;

d) fofocas e críticas não construtivas;

e) ciumeiras;

f) despeito;

g) mal-querenças;

h) hipocrisia;

i) melindres;

 

Disputas pelo poder.

São muito comuns nos meios religiosos, acontecendo também em muitas instituições espíritas que deveriam, pelas próprias características do Espiritismo, estar livre delas. Pessoas ambiciosas e aquelas que não conseguem sobressair-se na profissão ou na sociedade encontram nesses ambientes espaços para dominar ou aparecer e, então, fazem o que podem para não perder as posições alcançadas. São situações muito satisfatórias para elas, mas não para a instituição, nem para o movimento espírita.

Vaidade.

Se és dirigente espírita, bom médium, orador brilhante ou se realizas alguma atividade em que tenhas destaque, cuidado com a vaidade.

Sentir vaidade de quê?

Estás APENAS cumprindo teu dever.

Podes, sim, sentir contentamento pela oportunidade de participares com teus esforços deste mutirão evolutivo. O centro espírita não é apenas o local onde prestamos serviço. Ele representa o mutirão em que todos, construindo a casa alheia, estamos levantando as nossas próprias paredes.

O Espiritismo é bem maior do que as nossas vaidades, os nossos quereres.

Considerando que a difusão do conhecimento espírita e a sua aplicação na Terra é parte da programação superior para nossa humanidade, devemos entender essa tarefa como o bom funcionário entende a sua participação nas atividades da empresa, lembrando ainda que não somos apenas funcionários do Mestre, mas também partícipes dos benefícios que essa tarefa trará a nós e aos nossos descendentes. Sendo assim, não cabem em nossas posturas a vaidade nem a irresponsabilidade, muito menos aquele enfoque de sermos credores das atenções do Mais Alto por estarmos trabalhando nessa seara. Em vez disso, devemos entender que não estamos fazendo qualquer favor ao Espiritismo, mas a nós mesmos. Numa comparação meio estranha poderíamos entender que somos sócios dessa cooperativa evolutiva e é nosso dever trabalhar pelo seu sucesso.

 

Ditaduras.

Não são condizentes com um movimento libertador como o Espiritismo, nem com a época, que pede democracia. Os ditadores, por melhores que possam ser, sempre acabam promovendo o atraso, sejam eles indivíduos ou instituições.

 

Fofocas e críticas não construtivas.

Podem ser vistas como uma virose psíquica, maléfica e destrutiva que se transformou em atividade prazerosa ao ser humano e encontra ambiente favorável à sua proliferação em algumas instituições espíritas. Quando criticamos algo ou alguém de forma maldosa ou apenas irresponsável podemos estar lançando nos ambientes nuvens de “vírus mentais ou psíquicos” que poderão gerar graves problemas ou dificuldades a outrem.

Há pessoas dirigindo instituições que ao sentirem-se ameaçadas em sua “soberania” “soltam no ar” críticas e fofocas visando quem consideram seus possíveis rivais, no intuito de anulá-los.

Denegrir a imagem de alguém ou de algo é um ato covarde e terrivelmente negativo, e isto se pode fazer com simples gestos, com expressões faciais de ironia, desprezo ou um mero levantar de sobrancelhas, demonstrando alguma dúvida com relação à pessoa ou mesmo situação, em foco. Gestos assim deixam suspeitas no ar, fragilizando a credibilidade de alguém, de uma instituição, uma atividade ou situação. Quantos movimentos de renovação, de melhoria do ser humano, de caminhos melhores e mais luminosos já foram abortados por causa dos críticos de plantão, cuja meta é aparecer, cuidando de destruir o que não lhes renda louros ou possa ameaçar suas posições.

Cuidado, portanto, companheiro espírita, ao tecer críticas.

Cuidado ao ouvir ou perceber críticas. Procure conhecer seus fundamentos, antes de enviar para os seus arquivos sub-conscientes as imagens que lhe tenham passado.

Quantas excelentes pessoas, por causa desse tipo de maledicentes, silenciosos ou falantes, são colocados no “índex”, ou seja, passam a ser mal-vistos sem que se saiba exatamente porquê.

 

Ciumeiras e despeito.

São características de pessoas pobres em alguns valores, que sentem necessidade de arrebanhar atenções ou impor-se, para preencher seus próprios vazios.

 

Mal-querença.

É gerada na falta de fraternidade.

Não adianta nos acomodarmos a posturas enganosas, dizendo que tudo vai muito bem no nosso movimento.

Se olharmos para as religiões cristãs, principalmente os evangélicos, vamos encontrar muito mais fraternidade entre eles.

 

Hipocrisia.

Quantas vezes, em nome de uma caridade mal entendida, ou por mera acomodação, sorrimos para o companheiro e lhe damos tapinhas no ombro, quando intimamente estamos a lhe cobrar algo, por sabermos que a sua conduta não está de acordo com os postulados espíritas.

Esta é a atitude costumeira, bem mais fácil do que prestar-lhe o devido socorro, chamando-o às falas, conversando abertamente, ouvindo as suas dificuldades e lhe oferecendo mão amiga para ajudá-lo a sair do poço. Essa seria a caridade bem interpretada. Somos, até certo ponto, responsáveis pelos irmãos que caminham conosco.

 

Melindres.

Representam falta de humildade e a insegurança do ser em seu caminho evolutivo.

Quem está seguro de si mesmo, de suas convicções, de suas posturas não se melindra. E quando ocorre algo passível de melindrar uma pessoa que detém os valores da humildade, em vez de fechar-se em posições melindrosas, parte a procura de esclarecer a situação em pauta, com o devido pedido de desculpas se for o caso.

 

É, pois, fundamental atentarmos para a nossa grande responsabilidade perante a tarefa espírita, porque ela pertence a Deus, não a nós. Por isso não nos cabe fazer a nossa vontade ou aquilo que nos agrada, mas sim, o que é o melhor para a instituição e para o próprio movimento.

 

Não é nosso intuito criticar o movimento espírita. Ele tem caminhado de acordo com cada época e com as pessoas que o dirigem e a compõem. Mas não podemos ignorar que as situações que foram listadas, infelizmente, ocorrem com perigosa freqüência em inúmeras das nossas instituições.

 

ISTO É BOM PARA NÓS, ESPÍRITAS?

É BOM PARA O MOVIMENTO ESPÍRITA?

É BOM PARA OS QUE CHEGAM EM BUSCA DE CONHECIMENTO OU DE AJUDA?

 

CERTAMENTE, NÃO!!!

 

Então, o que se pode fazer?

 

 

Estamos em fase de transição

 

Conforme a codificação do Espiritismo, o mundo de ONTEM era de provas e expiações, com resgates de ações negativas, além dos necessários aprendizados.

Podemos facilmente observar que HOJE já estamos vivenciando o início de um período de transição, continuando os resgates de ações negativas e os aprendizados, tudo isto acrescido de um processo de eliminação de “lixos” do inconsciente e dos primeiros passos no crescimento interior.

O mundo de AMANHÃ deverá ser o de regeneração, dando continuidade aos aprendizados e conduzindo os seres a um crescimento interior mais pleno, a mais elevados patamares evolutivos.

 

Temos assim:

 

ONTEM

 

Mundo de provas e expiações   = Resgates de ações negativas. Aprendizados.

 

HOJE

Mundo em transição = Resgates de ações negativas. Aprendizados. Eliminação de “lixos” do inconsciente.

Primeiros passos no crescimento interior.

 

AMANHÃ

Mundo de regeneração = Aprendizados. Crescimento interior pleno. Mais elevados patamares evolutivos.

 

 

MUNDO EM TRANSIÇÃO

 

Se estamos vivenciando o início de um período de transição, o que é necessário fazer?

Permanecer como antes?

Ou participar ativamente para que essa transição se dê mais depressa e de forma mais fácil?

Se toda transição se faz pelas vias das mudanças, o que é necessário mudar nos meios espíritas?

Certamente as carências são muitas, mas vamos tratar apenas da necessidade de mudanças em:

ALGUNS ENFOQUES.

ALGUMAS METODOLOGIAS.

É preciso dizer, entretanto, que inúmeras instituições e companheiros espíritas que já acordaram para a necessidade de mudanças, as vêm colocando em prática, assim como, também, disseminando tais idéias. Divaldo Pereira Franco tem trazido valiosíssimas contribuições nesse sentido.

 

VAMOS REFLETIR?

 

As religiões criaram verdadeiro terrorismo psíquico através de 3 algemas

 

EXIGÊNCIA  = Regras de conduta e de ações.

CULPA = Instrumento de manipulação. Domínio psíquico.

PUNIÇÃO = Deus condena. Deus pune  =  MEDO

 

A primeira algema é a EXIGÊNCIA. As religiões cristãs criaram regras de conduta e de ações, algumas de acordo com as leis cósmicas, outras para atender seus próprios interesses e prender os fiéis às teias do seu poder.

Pela ótica espírita a exigência deve ser a que nos faz nossa consciência, onde estão registradas as leis de Deus.

A segunda algema está nos sentimentos de CULPA, nem sempre pertinentes, que foram introduzidos no psiquismo dos cristãos, como instrumento de manipulação e domínio psíquico. É natural que um “fiel” sentindo-se culpado perante Deus ou diante da igreja que entende ser a representante legal da divindade, torne-se elemento frágil e suscetível às mais diversas manipulações.

A terceira algema está nas idéias de PUNIÇÃO das quais a igreja católica e depois as protestantes souberam aproveitar-se muito bem para implantar o império do MEDO, através do qual conseguem ainda hoje domínio pleno sobre seus “rebanhos”.

Mas é preciso dizer, a bem da verdade, que esse domínio teve também o seu mérito, a sua razão de ser, por funcionar como freio para muitos que jamais se amoldariam a determinadas atitudes não fosse o medo das represálias divinas, ou mesmo das próprias igrejas.

Hoje, porém, se torna muito importante analisar a atualidade do cristianismo, do qual nós mesmos herdamos vários condicionamentos.

Podemos perceber, então, como os cristãos estão triplamente algemados às suas religiões. Daí a imensa dificuldade de se libertarem dos condicionamentos que foram se enraizando em seus psiquismos ao longo do tempo e das encarnações.

São condicionamentos que:

a) desequilibram o psiquismo;

b) geram complexos, causando “n” problemas de vivência, de convivência e até mesmo de saúde;

c) abrem canais de sintonia com espíritos obsessores e/ou trevosos.

Acontece também que significativa parcela dos espíritas, em níveis variados, tem igualmente o psiquismo preso a esses condicionamentos, como herança reencarnatória.  

 

PERGUNTA:

 

Vamos continuar sob o domínio desse terrorismo religioso?

 

Que fazer então para liberar-se desses condicionamentos?

 

1 – MUDAR ALGUNS ENFOQUES

2 – BUSCAR O CRESCIMENTO INTERIOR

 

 

Mudanças em alguns enfoques

 

Até mesmo nos meios espíritas, onde o conhecimento veio libertar de determinadas algemas, algumas palavras ainda refletem enfoques que produzem imagens mentais e condicionamentos.

Termos como EXPIAÇÃO, CARMA EXPIATÓRIO, CULPA e RESIGNAÇÃO refletem idéias pesadas, tolhem o progresso, gerando medo e complexos.

 

         MUDAR:

Expiação para reajuste;

Carma expiatório para carma evolutivo;

Culpa para responsabilidade;

Resignação para aceitação.

Os termos REAJUSTE e CARMA EVOLUTIVO são mais leves, libertam o ser para os vôos da evolução. Certamente em situações em que a vida machuca muito é válido entender que se trata de expiação, mesmo porque essa idéia resguarda a pessoa de sentir revolta, ao acreditar que não está sendo injustiçada pela vida. O contrário poderia levá-la a descrer da justiça divina. Mas não é positivo atribuir-se tudo ao carma. Afinal, o grande papel do sofrimento e das dificuldades não é a da mão que castiga, mas a do professor que ensina a ciência do bem-viver.

Também os sentimentos de culpa, pela ótica espírita, são pertinentes apenas no que diz respeito ao mal que fazemos aos outros, à comunidade, a nós mesmos e à natureza, e, mesmo assim, só devem persistir na medida e nas proporções em que nos levem à correção, ao reajuste ou resgate, quando for o caso. É natural e mesmo útil que esses sentimentos perdurem por algum tempo após o ato que os gerou, mas sem que isto se transforme num peso inútil a martirizar a alma. Da mesma forma não cabe ao espírita sentir-se culpado perante Deus, mas sim, perante a própria consciência e também diante de quem vitimou, porque o Ser Supremo não se ofende, não se magoa nem se aborrece com nossos erros. As suas leis existem, não para nos cercear ou violentar, mas para nos orientar a evolução.

 

Sentimentos de CULPA, portanto, só são válidos como força propulsora para os devidos resgates e o crescimento interior do ser.

 Nos mais de 30 anos militando em atividades espíritas e mais de 20 fazendo programas espíritas em rádio e escrevendo sobre Espiritismo em livros, revistas e jornais tenho podido observar os estragos que sentimentos de culpa podem produzir numa pessoa. Vou citar apenas um exemplo, modificando algumas situações para impossibilitar a identificação da pessoa em foco.

Certa madrugada uma senhora telefonou-me, desesperada. Não sabia mais a quem recorrer e como eu não a conhecia, entendia que poderia ”abrir-se” comigo, contando-me seu drama. Trabalhava num centro espírita há vários anos, como médium. O marido, evangélico, que no início implicara com suas idas ao centro acabou aceitando o fato. Tinham quatro filhos que mantinham com extremas dificuldades, já que o marido encontrava-se desempregado, e uma nova gravidez assustou-a tanto, ficou tão apavorada, sentiu-se tão perdida que não conseguiu encontrar forças suficientes para manter a gravidez e acabou fazendo um aborto às escondidas.

Pouco tempo depois, no centro que freqüentava, um palestrante de outro Estado, pessoa muito conceituada, dizia do alto da sua “autoridade” que a mulher que faz aborto é uma terrível criminosa perante as leis de Deus, uma assassina, pintando com horríveis cores as mulheres capazes de gestos tais.

Isto a deixou muito angustiada. Aquelas palavras vinham-lhe à mente de forma constante. Passou a chamar a si mesma de criminosa, assassina sem entranhas, etc.. Deixou de freqüentar o centro, por entender que não tinha autoridade moral para lidar com espíritos sofredores, muito menos com obsessores. O sentimento de culpa tomou conta de tal forma do seu psiquismo que logo uma forte depressão se instalava, com todos os seus horrores. Já não mais conseguia sequer trabalhar, necessitando de licenças, sempre renovadas no emprego. A casa, o marido e as crianças estavam completamente abandonados e seu desespero era tão doloroso que, apesar do conhecimento espírita que possuía, não conseguia abandonar a idéia de suicídio.

Quando terminou de contar seu drama perguntei-lhe:

- O que acha pior, o aborto que fez ou o abandono em que está deixando sua família?

Conversei longamente com ela, procurando mostrar-lhe que todos nós erramos porque somos seres ainda muito primários, mas não devemos parar para ficar nos cobrando, punindo ou torturando. Importa levantar a cada queda e seguir adiante, porque nos caminhos sempre encontraremos ocasiões para resgatar nossos erros, crescendo mais um pouco.

Como foi gratificante observar o imenso alívio daquela criatura! Era como se estivesse retornando à vida. Parou de chorar e deu alguns suspiros profundos que davam medida do quanto havia sofrido.

Chegou mesmo a rir de contentamento, pelo alívio que sentia.

Certamente, como espírita, nada do que eu lhe dissera lhe era novidade, mas o seu psiquismo estava tão atribulado por causa dos sentimentos de culpa que lhe haviam inculcado que provavelmente dera acesso a espíritos perseguidores, e estes conseguiram levá-la àquela triste situação.

Esse também é um outro enfoque que precisa ser repensado: como devem os palestrantes tratar de questões como o aborto, o suicídio, e assemelhados.

Certa vez um amigo contou que há muitos anos, quando convidado a fazer uma palestra num centro espírita sobre o suicídio, caprichou nas explicações sobre o sofrimento pelo qual passam aqueles que tiram a própria vida. Foi brilhante em seu discurso mas, ao final, o presidente da casa veio pedir-lhe para consertar os estragos que fizera num casal que em seguida lhe apresentou e que havia perdido um filho há poucas semanas, por suicídio. Eles tinham procurado o Espiritismo buscando consolo para sua dor e encontraram ainda mais dor.

Talvez pelo grande numero de palestras que alguém faz, ano após ano, acaba se automatizando. As palavras descem de forma quase automática dos arquivos mentais, sem passarem pelo crivo do bom senso, do questionamento sobre se devem ser ditas, ou caladas. Muitas vezes os discursos ou as respostas já estão prontinhos e na “ponta da língua”, sem serem tocados pelas asas da razão, sem que se questione se são oportunos e adequados à situação e ao momento. Também a empolgação por estar frente a um público que o ouve atentamente, criando certa relação de poder, pode gerar descuidos altamente prejudiciais.

Muitas das perguntas que nos fazem enfocam situações com mais de uma vertente. Daí, também, a necessidade de sempre refletir antes de responder e se não souber com segurança, ter a humildade de dizê-lo.

Inúmeros são os casos, às vezes muito delicados, de pessoas que tiveram de espíritas que gozam de credibilidade respostas peremptórias a suas perguntas, e essas respostas, posteriormente, foram desmentidas pelos acontecimentos. Isto, além de causar prejuízos a essas pessoas, gera descrédito para o próprio Espiritismo.

Por isso é fundamental que o expositor espírita seja cauteloso no falar, reflita antes de dizer algo que possa vir em prejuízo de quem está necessitando de apoio, conhecimento ou ajuda.

Espiritismo não deve ser decorado, mas refletido.

 

COMO MUDAR OS ENFOQUES:

 

Expiação para reajuste.

Carma expiatório para carma evolutivo.

Culpa para responsabilidade.

Resignação para aceitação.

 

1 - Buscando mais conhecimento e consciência crítica a fim de poder ajuizar corretamente.

2 - Procurando maior sintonia com a própria consciência, onde estão registradas as leis de Deus, e guiando-se por elas.

3 – Esforçando-se para transmutar a idéia de culpa em responsabilidade.

4 - Promovendo o próprio crescimento interior.

5 - Educando a mente e as emoções.

6 – Procurando apoio profissional, se necessário.

 

Com referencia ao último item, podemos observar que grande parte dos espíritas entende que o Espiritismo é suficiente para solucionar todos os problemas vivenciais das pessoas. Ocorre que há casos em que o apoio profissional é imprescindível para minimizar ou eliminar complexos e condicionamentos que podem refletir-se na saúde física e no equilíbrio psíquico da criatura. Nos casos de depressão, por exemplo, muitos são os que entendem ser ela o resultado de obsessão e a tratam por esse caminho. Ocorre que inúmeros desses casos refletem problemas orgânicos, energéticos e não espirituais, embora possam ter raízes em ocorrências de vidas passadas, assim como também algum componente espiritual. Um sistema energético carregado com energismo incompatível (fluidos incompatíveis) pode passar a produzir alguns elementos químicos, como os neurotransmissores, de forma deficiente, gerando depressão e outros problemas, e esse energismo pesado pode ser proveniente de estresse, assimilado dos ambientes, transmitido por espíritos negativos, gerado nos pensamentos e emoções da própria pessoa, ou ainda, ocorrer como aflorações do inconsciente. (Sobre o sistema energético, nos livros Enxaqueca-Depressão e Práticas para o Bem-viver damos mais detalhes, inclusive a sua fundamentação científica).

Assim, é perigoso generalizar.

Com relação a essas aflorações acima citadas é fácil perceber como o “lixo” do inconsciente de parte da humanidade está vindo à tona com mais intensidade nestas últimas décadas, carregando mais ainda o sistema energético. É como se a natureza estivesse empenhada em eliminar ao menos parte desses materiais imprestáveis, talvez para que o ser humano da nova época que se avizinha possa ter melhores possibilidades de crescimento interior, tendo em vista que nosso inconsciente assemelha-se a um porão repleto de imagens carregadas de angústia, medo, aflições, frustrações e situações traumáticas das mais variadas.

Essa catarse psíquica certamente é necessária para possibilitar maior equilíbrio e melhor qualidade de vida para o ser humano do futuro.

 

 

Outro enfoque pedindo mudanças

 

Enfoque habitual nos meios espíritas:

 

ESPIRITISMO = caminho para a evolução moral-espiritual do ser.

SOFRIMENTO = recurso para a redenção do ser.

 

Mas com a evolução do conhecimento e das muitas áreas do saber voltadas para beneficiar o ser humano, assim como também devido às mudanças solicitadas por esta época de transição que vivenciamos, podemos começar a ver no Espiritismo não apenas um caminho religioso, visando a evolução espiritual e/ou redenção do ser, mas também todo um contexto que nos pode favorecer mais equilíbrio, saúde, harmonia, melhor convívio, melhor qualidade de vida e felicidade.

 Isto pode ser percebido, atualizando e ampliando os antigos enfoques, da seguinte forma:

Ao conceito Espiritismo, caminho para a evolução moral-espiritual do ser, acrescentar: Busca do homem integral, do ser pleno, saudável, feliz, harmonizado consigo mesmo, com os outros, com a vida, as circunstancias...

Isto equivale a crescimento interior pleno.

A Sofrimento, recurso para a redenção do ser acrescentar: Instrumento para despertá-lo. Alavanca para iniciar seu processo de crescimento interior.

 

 

 

Mais um enfoque importante que precisa ser atualizado

 

“LEVANTA-TE E ANDA”

“AMA TEU PRÓXIMO”

“SÊ PERFEITO”

“NÃO JULGUES”

“PERDOA”

 

SÃO ORIENTAÇÕES

DE UM MESTRE

 

Mas seguir essas orientações é tão difícil que os cristãos buscaram a variante da teologia, criando infinitas e INÚTEIS DISCUSSÕES.

Transformaram a figura do Mestre em objeto de adoração e idolatria.

Deturparam a missão de Jesus e a relação dos seus seguidores para com Ele.

 

CRIARAM UMA RELAÇÃO DE:

Piedade: Pelos sofrimentos de Jesus, exaltados ao máximo.

Interesse: Pelo sangue de Jesus a lavar seus pecados e salvá-los. Por todo tipo de ajuda que Jesus poderia dar-lhes.

 

 

ESSE TIPO DE RELAÇÃO GEROU NO CRISTIANISMO:

 

a) Pieguismo doentio;

b) Dependência doentia;

c) Adoração doentia.

 

Mas, o que muito preocupa é que o movimento espírita brasileiro herdou algo desses enfoques.

 

Entretanto, qual a relação que Jesus sempre estimulou?

 

A do MESTRE para com seus discípulos:

Aquele que ensina, orienta, aconselha, esclarece e até ampara nos momentos difíceis.

Sem dependências.

Sem pieguismo.

Sem adoração doentia.

 

Já não estará na hora de resgatarmos a real imagem de Jesus?

 

Vamos refletir?

 

Duas idéias incoerentes foram criadas pela igreja católica e perduram no seio do cristianismo. São elas: a perdição e a salvação, ou seja, a humanidade estaria perdida por causa do pecado de Adão e Eva. Por isso Deus precisou enviar seu filho inocente e puro para ser imolado, a fim de que seu sangue purificasse o ser humano e seu sacrifício o redimisse.

Mas isto não faz sentido porque sendo Deus onipotente, o máximo poder do universo, autor das leis universais, poderia simplesmente perdoar os pecados do ser humano, sem necessidade de sacrificar alguém, muito menos um inocente. Aliás, essa idéia de sacrificar alguém em nosso lugar é muito cômoda, alimentada pelo egoísmo e hipocrisia humanos. Além disso, seria necessário fazer-se uma idéia muito estúpida sobre Deus para entender que Ele poderia criar leis tão injustas, mediante as quais os erros de alguém seriam resgatados com o sacrifício de outrem.

Essas idéias sobre a necessidade de sacrifícios para aplacar a ira dos deuses vêm do paganismo, foram assimiladas por Abraão e sua descendência e adotadas por Moisés, que realizou um magnífico trabalho de codificação ao longo dos livros do Pentateuco, detalhando e enumerando cada pecado passível de ser cometido pelos descendentes de Israel, com a punição correspondente. Essas punições, em sua maioria, eram de sacrifícios de animais, acreditando-se que o sangue derramado aplacaria a ira de Deus que, assim apaziguado, paparicado, iria continuar a abençoar o pecador que se redimira. Outra idéia incongruente que foi colocada na Bíblia, no Antigo Testamento, é a de que Deus se agradava com o cheiro do sangue dos animais que eram imolados. Imagine que tipo de ser seria esse, a gostar de sangue. O escritor Jayme Andrade, no livro O Espiritismo e as Igrejas Reformadas diz que Jeová, certamente, seria um espírito protetor do povo israelita, uma espécie de deidade tribal, mais ou menos identificada com a índole da raça e que assumia junto ao povo a condição de Deus. Assim se podem explicar as inúmeras absurdidades encontradas na Bíblia com relação a Jeová, ou Senhor, como também o chamavam. Abordamos com mais detalhes esse assunto no livrinho Temor a Deus.

As palavras redenção e salvação, utilizadas nos meios religiosos cristãos veio desse contexto, tanto que Jesus foi tido como o “Cordeiro de Deus, imolado para tirar os pecados do mundo”, ou seja, seu sangue teria lavado os pecados de Adão e Eva que maculavam as almas de todos os seus descendentes, redimindo-as, e seu sacrifício salvaria do inferno aqueles que cumprissem fielmente os preceitos das suas religiões.

Esse conceito é tão infantil quanto a mentalidade humana daquelas épocas primárias. As idéias sobre Deus eram absolutamente incompatíveis com o bom senso. Mas o Espiritismo, felizmente, veio colocar as coisas nos seus devidos lugares, mostrando ao homem um enfoque mais real sobre o Criador, as suas leis, a vida. Mas, em razão dos condicionamentos milenares sofridos pelo psiquismo do mundo cristão, até mesmo nos meios espíritas ainda perduram certas estruturas daquela mentalidade.

Num entendimento mais saudável poderíamos dizer que ninguém está precisando salvar-se porque ninguém está perdido. Estamos todos, sim, precisando evoluir.

Mas, ante esse conceito sobre a inexistência da salvação, como ficaria aquela máxima da codificação “Fora da caridade não há salvação?”.

É preciso entender que o sentido que foi dado a essa palavra indubitavelmente não teve o mesmo significado que tem na Bíblia. É preciso observar-se a época e a circunstância em que foi dita. Foi uma contraposição ao dogma “Fora da Igreja não há salvação”.

E Kardec, nesse mesmo capítulo, em seus comentários aos textos do Evangelho, em vez da palavra “salvação” ele usa “felicidade futura”.Todo o discurso da codificação nos fala em evolução ao longo das reencarnações e isto é incompatível com a idéia da salvação bíblica.

Também devemos observar que grande parte das mensagens, principalmente as do O Evangelho Segundo o Espiritismo, procede de espíritos que foram padres, bispos e cardeais da igreja católica, alguns deles canonizados como santos e santas. Assim, é muito natural que utilizassem a forma de linguagem compatível com o que vivenciaram em suas últimas reencarnações.

Daí observar-se até mesmo algumas incongruências como no capítulo em que falam sobre as penas e recompensas. A linguagem é bastante semelhante à da igreja católica. Por exemplo; no capítulo Bem-aventurados os aflitos Lacordaire diz: “O homem não recebe nenhuma recompensa para esse tipo de coragem, mas Deus lhe reserva seus louros e um lugar glorioso”. Essas palavras refletem os velhos condicionamentos bíblicos do interesse, em que só se faz algo visando recompensas e em que a vaidade pontifica, nos anseios por louros e por lugares gloriosos no céu. Esse toque de vaidade é incompatível com os ensinamentos de Jesus e as idéias transmitidas pelo Espiritismo. E mais adiante, Santo Agostinho diz: “O Senhor marcou com seu selo todos os que acreditam n’Ele”, ou seja, passa a idéia da salvação pela fé.

Como vemos, aqueles espíritos, embora de elevada estirpe, mantiveram, até certo ponto, um linguajar e idéias compatíveis com suas últimas reencarnações.

Por isso e também porque o bom senso indica, não se deve entender tudo ao pé da letra.

O Espírito Verdade trouxe-nos um universo de informações que foram codificados e comentados por Kardec. O conteúdo desse “pacote” de novos conhecimentos é de molde a produzir mudanças nos enfoques e na vivência das pessoas. São mudanças que ocorrem pela conscientização do que é bom e do que não é bom para o presente e o futuro da própria pessoa. É a via certa e mais segura de transformação, de crescimento interior dos seres e da própria coletividade.

Mas enquanto virmos Jesus como salvador estaremos sempre nos atrelando a Ele, procurando n’Ele muletas ou mesmo uma “carona” para Nosso Lar, quando não, a mão de uma babá a nos conduzir vida afora. É a anti-evolução.

Da mesma forma a aplicação da palavra caridade precisa ser repensada porque, além de não refletir corretamente o verdadeiro sentido dos ensinamentos de Jesus, também já se desgastou pelo seu mau uso, revestida com características humilhantes para quem a recebe e de envaidecimento a quem a pratica, situações incompatíveis com as idéias espíritas.

Não seria bem melhor usar os termos fraternidade e amor, referindo-se evidentemente ao amor pleno?

Também podemos refletir em que fazer caridade tem seu peso no terreno do merecimento, mas não da evolução, porque esta representa um processo contínuo de crescimento interior que nada tem a ver com aquela prática.

A evolução, numa de suas vertentes, ocorre mediante aquisição ou desenvolvimento de um sentimento, o amor. Então serão atos de amor e não de caridade. Praticar esta última pode preparar terreno para o amor, pela percepção do sofrimento alheio, que mobiliza e desenvolve sentimentos fraternos. Mas é importante destacar a diferença entre atos de amor e caridade.

 

 

QUE SE PODE FAZER PARA MUDAR OS ENFOQUES EQUIVOCADOS SOBRE JESUS?

 

1 – Nos estudos do evangelho, enfocar os seus valores pelo lado científico, pelos caminhos da ciência.

Exemplo: Por que não devemos odiar? Por que Jesus mandou, ou porque o ódio nos prejudica na saúde, nos relacionamentos, no trabalho e nos coloca ao alcance dos nossos perseguidores espirituais?

Explicar os mecanismos, os “porquês” desses prejuízos.

2 - Perceber os ensinamentos de Jesus pelo aspecto científico, com todos os seus “porquês”, passando assim a vê-lo como o cientista cósmico que veio nos ensinar a ciência do bem-viver, e não, como o salvador ou um fundador de religiões.

 

 

Ensinamentos de Jesus

 

Os ensinamentos de Jesus sempre refletiram AÇÃO: “Levanta-te e anda”, “Ama teu próximo”, “Sê perfeito”, “Não julgues”, “Perdoa”, etc.

Esta ação pode ser percebida em duas vertentes:

 

AJUDAR A SI MESMO  (AUTO-AJUDA)

AJUDAR O PRÓXIMO

 

Vamos tratar aqui principalmente da auto-ajuda, porque ajudar o próximo, todo espírita sabe muito bem como fazê-lo. No entanto há uma colocação que peço ao leitor para analisar sua pertinência.

Ocorre, em muitas situações, que deixamos de prestar certo tipo de ajuda ao nosso companheiro espírita por causa de uma falsa interpretação da palavra caridade. É quando, sabendo que alguém da seara está se conduzindo mal, preferimos, em nome de uma caridade mal interpretada, nos acomodar em nossa omissão, em vez de chamá-lo às falas, em particular e com o sincero desejo de ajudar.

Em nome dessa “caridade” sorrimos para ele, quando em nosso íntimo estamos a lhe cobrar algo, em termos de conduta espírita.

Quantos companheiros dão um mau passo e, ao observarem que ninguém os reprovou, censurou ou admoestou à mudança de rumos, acabam acreditando estarem certos e, assim, continuam sua queda espiritual, chegando muitas vezes ao fundo poço, onde continuam percebendo ainda a aprovação tácita dos seus companheiros de seara, porque nesses casos, calar “caridosamente” é o mesmo que aprovar o erro.

Quantos excelentes médiuns acabaram desviando-se da doutrina e se perdendo pelos atalhos da vida porque, aos primeiros erros cometidos, ninguém os procurou para conversar e tentar mostrar seus enganos.

Numa comunidade como a espírita, onde não existem hierarquias que cuidem da conduta dos seus liderados, as responsabilidades se dividem entre todos.

Quem milita na seara espírita é, até certo ponto, co-responsável por tudo que nela acontece.

Será então correta essa postura do calar “caridosamente”?

Não será essa igualmente uma atitude que está pedindo mudanças?

Mas é também necessário ter-se muito cuidado para não desenvolver uma cultura de policiamento. O fundamental, sempre, é ocupar-se cada qual em vigiar a si mesmo em primeiro lugar, observar a própria conduta para verificar se a sua presença nos meios que freqüenta está sendo benéfica, ou não.

 

Quanto à auto-ajuda podemos entendê-la por uma dimensão mais ampla do que geralmente lhe é dada, ou seja:

 

Buscar o autoconhecimento.

Promover o crescimento interior.

 

 

Autoconhecimento

 

Autoconhecimento equivale a:

 

1 - Identificar em si mesmo os valores morais-espirituais positivos e negativos.

2 - Conhecer o próprio psiquismo, as tendências, idiossincrasias, predisposições, inclinações...

3 - Conhecer o próprio organismo, as funções orgânicas e sua inter-relação com os corpos sutis e as energias.

4 - Conhecer os próprios potenciais físicos, energéticos, emocionais, mentais e espirituais.

 

A busca do autoconhecimento é algo que ocorre na intimidade do ser. Geralmente nós nos observamos com muita atenção em nosso aspecto físico: se estamos engordando, criado barriga, rugas, se a pele e o cabelo estão ou não do nosso agrado e por aí a fora. Mas o autoconhecimento é essencialmente interno. Muitos faquires e yogues conhecem-se tão bem que conseguem alcançar invejável domínio sobre as funções do próprio corpo. Para nós outros, comuns mortais, esse autoconhecimento, com vistas ao autocomando já é bem mais trabalhoso e lento, mas indubitavelmente estará nos currículos da medicina preventiva do futuro. Mesmo assim, se começarmos desde agora a nos observar, a procurar meios para comandar algo em nosso organismo, logo, logo iremos perceber quão valioso isto pode ser para nós.

Posso afirmar essa validade com toda segurança, já que desde os meados dos anos 90 venho conseguindo controlar plenamente a enxaqueca mediante alguns procedimentos que fui roteirizando, na desesperada busca a um auxílio que a medicina não pôde me dar. Consegui-o no decurso de vários anos, num trabalho incessante de autoconhecimento e autocomando, com a utilização principalmente do que chamo de “varredura energética”. Isto é tão real que inúmeras pessoas me têm contatado para dizer que também estão conseguindo esse controle, através das explicações e exercícios contidos no livro anteriormente citado, Enxaqueca-Depressão. Cito isto para mostrar como o autoconhecimento e o autocomando podem nos ajudar a melhorar nossa qualidade de vida.

Seria muito proveitoso em todos os sentidos se os centros formassem grupos de estudos sobre a mente, o pensamento, as emoções, as energias e como todo esse complexo repercute em nosso organismo, nos estados de espírito, nas atitudes e em toda a nossa vivência.

Se você, no entanto, é daqueles que acha que Espiritismo deve cuidar exclusivamente do aspecto moral-espiritual de seus profitentes pule este capítulo. Mas se entende que Espiritismo é uma normativa de vida cuja meta é o equilíbrio, o bem-estar e a felicidade do ser humano, então vai certamente concordar comigo.

 

 

Crescimento interior

 

Crescer interiormente equivale a:

 

1 - Ganho de virtudes.

2 - Aprendizagens diversas.

3 - Ganho de equilíbrio mental, psíquico e emocional.

4 - Bom relacionamento consigo mesmo e com os outros.

5 - Maturidade.

6 – Maior comando consciente de si mesmo (orgânico, mental e psíquico).

7 - Contentamento.

8 - Liberar-se de traumas, fobias, medos, ansiedades, frustrações...

 

Temos dado preferência ao termo crescimento interior, em vez de reforma interior, porque a palavra reforma indica uma ação, a de reformar e, depois, a estagnação. Já o crescimento implica em aquisição de valores em todos sentidos das necessidades humanas, não apenas das virtudes ou morais-espirituais, mas também de tudo o mais que possa levar a pessoa a sentir-se plena, feliz, com equilíbrio e bem-estar. É uma ação contínua.

Esse crescimento pode ser natural, desenvolvendo-se no bojo do tempo e das experiências reencarnatórias. Mas também pode ser consciente, ou seja, planejado, organizado e autocomandado.

 

Todos conhecemos as grandes dificuldades em realizarmos nosso crescimento interior.

Sabemos o quanto isto é necessário e prioritário, mas... como é difícil!

 

Vamos refletir?

 

Não estará a causa primordial dessa dificuldade no COMO?

Como pode isto ser realizado na prática?

Que fazer, de forma objetiva e produtiva?

Quais passos ou providencias a serem tomados, detalhes do que se pode fazer na vivência do cotidiano?

Temos, girando em nossas cabeças, um universo de conceitos e colocações as mais belas, atropelando-nos através das páginas dos livros, das mensagens, das palestras, das exortações e até mesmo pela Internet... todos filosofando em torno da questão da reforma interior (que prefiro denominar de crescimento interior) numa insistência avassaladora, saturando nosso subconsciente com teorias reformadoras.

Todos SABEMOS com exatidão o que precisamos mudar, reformar, melhorar... só não sabemos COMO. Não temos um esquema, um roteiro claro de procedimentos práticos para materializar, passo a passo, as intenções que nutrimos sobre essa reforma, ou esse crescimento.

Dizemos: “preciso modificar determinadas posturas...” mas acabamos ficando em alguns esforços isolados aqui e ali, em simulacros de reforma, por não encontrarmos um apoio mais significativo.

Um exemplo poderoso que podemos observar está nos AA e em outros grupos semelhantes de pessoas que se juntam na tentativa de conseguirem vencer determinados vícios e/ou dificuldades e conseguem, em sua grande maioria.

As nossas imperfeições também podem ser vistas como viciações adquiridas ao longo das reencarnações, e da mesma forma como ocorre com outros vícios, certamente conseguiremos resultados positivos com procedimentos inspirados em modelos como aqueles, em que os interessados se reúnem para a busca de ajuda mútua e nessa comunhão encontram as orientações e a força de que precisam para as mudanças que desejam.

         É oportuno observar que com a incessante repetição das exortações para a reforma interior, nós acabamos decorando-as, assim como o papagaio, mas para transformá-las em vivência, para integrá-las à nossa personalidade, é preciso mais que repetições e decoreba.

A geometria é mais fácil de aprender do que a álgebra. Não será por causa do manuseio das figuras geométricas em contraposição às meras fórmulas algébricas?

 A reforma, ou o crescimento interior, é um trabalho individual, mas pode ser estudado, discutido, organizado e roteirizado em grupo, o que é altamente produtivo. Crescer em grupo é muito mais fácil e agradável do que sozinho. No livro Crescimento Interior apresentamos na sua primeira parte, como sugestão, o roteiro de uma reunião visando esse fim e na segunda parte um manual individual. Esse livro é vendido a baixo preço para facilitar sua aquisição, e os grupos que quiserem adotá-lo poderão adquiri-los nesta editora a preço de custo, já que cada membro do grupo deve ter o seu exemplar.

 

 

Mudança nas metodologias

 

Pregação do Evangelho = Em 2.000 anos não conseguiu melhorar efetivamente os cristãos.

Pregação do Espiritismo = Em 150 anos não conseguiu melhorar efetivamente os espíritas

 

 

Com relação ao segundo item podemos observar:

 

1 - Dificuldade em vivenciar a ética espírita.

2 - Falta de vontade política em priorizar essa vivência.

3 - Metodologias ineficientes.

 

 

1 - DIFICULDADE EM VIVENCIAR A ÉTICA ESPÍRITA:

 

Agimos e reagimos de acordo com nossos conteúdos psíquicos, elaborados ao longo das reencarnações, sofrendo também algumas influências hereditárias.

São conteúdos enraizados em nós. Por isso é tão difícil “matar o homem velho”, conforme exortou o apóstolo e fazer nascer e crescer em seu lugar o “homem novo”.

 

2 - FALTA DE VONTADE POLÍTICA para priorizar essa vivência. Não houve ainda nos meios espíritas um despertar para essa necessidade.

 

3 - METODOLOGIAS INEFICIENTES.

 

Devemos observar que o tema tratado neste livro refere-se ao aspecto vivencial da ética espírita e não ao doutrinário. Nesse contexto, portanto, no trato com a vivência espírita ou evangélica, vamos encontrar, com exceções, as seguintes metodologias em uso:

a) Palestras sobre temas evangélicos.

b) Estudos de evangelho e/ou de mensagens edificantes.

 

Ocorre que crescimento interior não se alcança com meros estudos ou com teoria.

É ação, atitude, vivência. É mais que palestras, estudos e exortações.

 

SUGESTÕES

 

1 - Passar a priorizar o crescimento interior dos trabalhadores e dos freqüentadores da instituição.

2 - Mudar parte das palestras sobre temas evangélicos para reuniões interativas.

3 – Direcionar os estudos de evangelho para formatos mais participativos.

Podem-se também criar oficinas, nas quais os presentes possam sentir-se realmente envolvidos e motivados a desenvolverem a fraternidade, buscarem mais profundo conhecimento de si mesmos e a melhor vivenciarem a ética espírita.

4 - Criar reuniões voltadas para o crescimento interior dos trabalhadores da casa e demais interessados. (No livro Crescimento Interior, apresentamos um modelo de reunião dessa natureza)

5 - Incentivar a fraternidade, a sinceridade e a alteridade entre todos.

6 - Realizar encontros, fóruns, seminários enfocando o crescimento interior, tanto das instituições quanto dos participantes.

 

Por que as reuniões voltadas para o crescimento interior são tão importantes?

a) todos participam ativamente. Isto enriquece o trabalho e ajuda os membros do grupo em seus propósitos de crescimento;

b) torna as reuniões mais dinâmicas, mais prazerosas e menos cansativas.

c) leva os presentes a mobilizarem a atenção e as idéias, na busca de recursos práticos para seu desenvolvimento como seres plenos.

d) com as boas idéias do grupo pode-se formar um roteiro de procedimentos práticos, que ajudem na vivência dos ensinamentos de Jesus, como também na construção e desenvolvimento de outros valores, visando o bem-viver. Exemplo de um desses procedimentos, que foi proposto numa reunião dessa natureza, com vistas a superar antipatias: “Sempre que olhar para o seu desafeto ou para quem antipatiza, ou mesmo quando lembrar-se dele, dizer mentalmente e de todo coração: “Que você, fulano, esteja bem, com saúde e paz. Que Deus te abençoe e te faça feliz”.”

Práticas como esta, apesar da sua simplicidade, representam poderosa alavanca que nos ajuda a melhorar nossas posturas e atitudes. Quantos procedimentos, quantas práticas benéficas e produtivas podem ser desenvolvidas por um grupo que se dispõe a tanto!

Pode-se também adotar o hábito de realizar uma pequena confraternização ao final dessas reuniões. Para isso, a cada encontro, um ou mais companheiros podem encarregar-se de levar algo como refrigerantes, bolo, biscoitos ou qualquer guloseima, por mais simples que seja. É uma prática que torna as reuniões mais atrativas e possibilita aos participantes se conhecerem melhor, desenvolvendo a fraternidade.

Também o grupo pode, vez por outra, em vez da reunião costumeira, visitar um asilo para idosos, um orfanato, um hospital ou a residência de algum dos companheiros que esteja enfermo ou necessitado de ajuda.

Uma das maiores lacunas, em termos de fraternidade, está no pouco caso que se observa na maioria das instituições espíritas com relação aos companheiros de atividades da Casa. Alguém se ausenta por razões de doença ou problemas os mais variados, mas a sua ausência só é percebida quando se trata de criticá-lo ou julgá-lo. O certo, no entanto, seria formar uma comissão para ir visitá-lo, oferecer-lhe mão amiga ou uma palavra de conforto e bom ânimo.

De que vale fazer “caridade” lá fora e permanecer impermeável aos problemas dos que estão mais próximos?

Mas voltando à questão das metodologias é fácil perceber a importância de mudar palestras sobre evangelho para bate-papos onde se discute a questão da vivência espírita, tendo como foco primordial a busca de meios para desenvolver o amor pleno, a fraternidade; onde cada um pode colocar a sua experiência e aprender uns com os outros; onde haverá uma cumplicidade entre os membros do grupo, visando o crescimento interior de todos.

Em reuniões dessa natureza também podem ser realizadas vivências ou dinâmicas, como, por exemplo, para comprovar que é possível comandarmos nossas emoções e estados de espírito.

Para essa vivência o Coordenador convida os presentes a imaginarem que são candidatos a participar de uma novela de grande audiência. Todos farão um teste para definir suas qualidades artísticas. Os presentes são divididos em dois grupos. Na seguinte seqüência, como se fosse numa oficina de teatro, os do primeiro grupo deverão mostrar expressões de:

a) mágoa; b) impaciência; c) tristeza; d) medo.

 Em seguida, deverão mostrar expressões de:

a) amor; b) alegria; c) serenidade; d) paz e confiança.

Aplica-se o mesmo teste ao segundo grupo.

O Coordenador, ao invés de comentar os dotes artísticos deste ou daquele (coisa que todos estariam esperando), pede para observarem como foi fácil modificar seus estados de espírito, lembrando que com essa mesma facilidade é possível comandarmos nossas posturas no cotidiano. É só uma questão de autoconhecimento, vontade e esforço, da mesma forma como alguém consegue através de exercícios sistemáticos modelar o corpo, tornando-o forte, musculoso, ou flexível.

 

Estas, certamente, são idéias que soam estranhas, mas importa perceber que é chegada a hora de se trabalhar intensamente visando mudanças em toda a sistemática espírita, ou quase toda, lembrando que estamos em plena fase de transição de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração... E transição pede mudanças.

Não adianta ficarmos reclamando das coisas erradas que encontramos a cada passo em nosso movimento. Importa trabalharmos para modificar as coisas, buscando as causas profundas das mesmas e promovendo as mudanças necessárias.

Assim, por que não começarmos a nos mobilizar para mudar nossas metodologias?

Nesse intuito, basta um pouco de reflexão para perceber a importância das reuniões participativas, em que todos podem colocar as suas idéias, falar das suas dificuldades vivenciais, ouvir explicações as mais variadas, receber sugestões, apoio, afeto e solidariedade. Onde se habituem a também dar apoio, afeto e solidariedade. Onde criem consciência crítica e gerem memória sobre os temas tratados.

Por que é importante essa geração de memória?

Exemplo: alguém se decide sinceramente a não criticar, mas quando se dá conta já praticou a crítica.

Aí, só resta o arrependimento que, mal conduzido, é prejudicial.

QUE FAZER?

Gerar memória.

Talvez a maior dificuldade que encontramos em nossos processos de crescimento interior está na memória. Geralmente só nos lembramos de alguma decisão tomada no sentido de agir, ou não, de determinada forma, depois da ação já cometida. Aí só resta nutrir um inútil arrependimento. Mas quando conseguimos nos lembrar antes da ação, podemos freá-la, não cometê-la.

Há muitos anos, quando fazíamos reuniões de crescimento interior no Centro Espírita Horizontes da Vida, em Fortaleza, alguém sugeriu usarmos lembretes relacionados aos valores que estávamos desejando desenvolver. Surgiram várias idéias como, por exemplo, escrever o nome do valor desejado num papel, amassá-lo e colocá-lo no bolso ou na bolsa. Assim, sempre que aquela pessoa colocasse a mão no bolso ou abrisse a bolsa encontraria aquele bolinho de papel amassado, trazendo assim à memória a decisão que tomara. Como eu me encontrava muito empenhada em ser mais paciente, fazendo grandes esforços nesse sentido há muitos anos, sem maiores resultados, fiz uma trancinha de cordões e amarrei-a no pulso. Enquanto a trançava ia mentalizando o seguinte: sempre que eu olhar para esta trancinha ou senti-la em meu braço, vou me lembrar de ser paciente. Foi uma excelente experiência. Consegui desenvolver mais paciência em três meses do que havia conseguido ao longo de 15 anos. É claro que minha nota ainda não é satisfatória em termos de paciência, mas um dia chego lá, graças, principalmente, à ajuda do providencial lembrete.

Narro este fato para mostrar como podemos usar de criatividade para nossa evolução, desde que ponhamos o pé na estrada, com vontade e disposição, lembrando sempre que crescer em grupo é bem mais fácil que sozinho.

Os evangélicos trabalham a questão religiosa freqüentando os cultos, entregando-se a Jesus (mesmo sem entenderem o que isto possa significar), pagando o dízimo e andando com a Bíblia embaixo do braço. Assim, para eles, o seu problema está resolvido.

No Espiritismo encontramos outra orientação ou mentalidade, que enfatiza a necessidade de se “trabalhar” a conduta mental, verbal, os sentimentos, as emoções e as atitudes.

Neste caso a FORMA precisa ser diferente.

Desde sempre, nos meios espíritas tem-se usado o mesmo formato dos evangélicos, com palestras e estudos sobre temas do evangelho. Entretanto, em nossos meios campeiam os mesmo valores negativos que são encontrados entre eles, a ponto de muitos companheiros se afastarem, por não suportarem tanta vaidade, desamor, discriminação, maledicência, comodismo, personalismo e crítica destrutiva que encontram em suas instituições, sem falar nas outras infinitas queixas que se ouve diuturnamente.

Como foi dito anteriormente, além das virtudes evangélicas é importante contemplar-se também outras facetas, aprofundar aquelas questões vivenciais básicas do ser humano, como a convivência, os relacionamentos, como lidar com as frustrações, os traumas, o medo, o ciúme... sempre à luz da doutrina espírita, podendo-se também utilizar conhecimentos e técnicas de outras áreas, como a Psicologia, que contemplem a pessoa em sua totalidade, visando ajudá-la a ter mais equilíbrio, ser mais centrada e feliz.

Quando entendemos o Espiritismo por uma abordagem mais ampla, podemos ver nele não apenas o aspecto ético-religioso, mas também um roteiro para o bem-estar, o equilíbrio e a felicidade do ser humano.

Convém lembrar que as grandes empresas e inúmeros setores do serviço público vêm procurando cada vez mais certos serviços especializados em RH que realizam vivências e oficinas com seus funcionários, visando maior harmonia e cooperação entre os mesmos, assim como, também, o equilíbrio e bem-estar interior de cada um, por entenderem que um funcionário de bem com a vida produz mais e melhor. Por que não utilizarmos igualmente nos meios espíritas recursos práticos que possam ajudar a nos tornarmos mais fraternos e a convivermos melhor uns com os outros?

 

Uma excelente prática, conhecida como feedback, tem sido utilizada com muito proveito em empresas e pode ser aplicada em centros espíritas, da seguinte forma:

Cada trabalhador da instituição recebe um maço de folhas contendo cada uma o nome de um dos demais companheiros, nas quais deverá escrever o que pensa a respeito de cada um deles, sem se identificar. Em seguida entrega-as à secretaria. Depois que todos tiverem devolvido as folhas devidamente preenchidas, estas são selecionadas pelos nomes e entregues a seus destinatários. Estes poderão ler ou não para os demais companheiros o que foi escrito. Assim, sabendo o que os outros realmente pensam a seu respeito, cada qual poderá avaliar-se melhor e fazer de si mesmo um retrato mais verdadeiro.

Mas antes deve ser realizado um encontro com todos os trabalhadores da casa, no qual são orientados a observarem certos cuidados quando forem falar dos seus companheiros, no sentido de serem verdadeiros, mas não agressivos, e procurarem usar mais o conselho do que a crítica.

Também devem ser exortados a se prepararem psicologicamente para tomar conhecimento sobre o que os outros pensam deles, a fim de que não apresentem reações negativas como raiva, mágoa, desalento, desmotivação, desilusão, etc. Certamente seria útil a presença de um profissional da área para esse preparo, mas não é imprescindível.

Esta é uma prática que tem surtido excelentes resultados em empresas, onde funcionários encontravam dificuldades para um bom relacionamento. Por que não utilizá-la nos meios espíritas?

Muitos espíritas são contra mudanças. Até certo ponto estão com razão. Não se deve fazê-las apenas por fazer, ou por mero entusiasmo. Mas também não se deve permanecer estagnado, por medo de inovações. É preciso lembrar que o grande fomentador de mudanças foi Jesus. Ele mudou paradigmas estratificados no psiquismo humano. Kardec também veio para mudar e como mudou!

Vamos nós permanecer nas mesmices, por medo?

 

 

Uma receita simples e prática

 

Basta uma só ação:

Imprimir sempre em todo o ser o contentamento e um sentimento de fraternidade ou de amor pleno.

O contentamento é um elixir de vida e bem-estar.

O amor é O VALOR por excelência.

Nele estão embutidas todas as demais virtudes.

O amor INCLUI: a solidariedade, a compreensão, o perdão, a ajuda mútua, a humildade e infinitos outros valores.

O amor EXCLUI: o despeito, a maledicência, os melindres, as fofocas, as críticas negativas, as mal-querenças, o orgulho, a vaidade, o despeito, a ambição...

 

Alguém faz uma auto-avaliação e conclui que está precisando corrigir-se do melindre, da vaidade, do egoísmo, da prepotência e do rancor, entendendo que deve priorizar o combate ao egoísmo, seu valor negativo mais forte, para depois passar para os demais, 5 ao todo. Mesmo que fique ligado, tempo integral, na determinação de liberar-se do egoísmo, quanto tempo levará para consegui-lo?

E os outros 4 valores negativos restantes?

Mas, se essa pessoa se fixa em apenas uma ação constante, a de imprimir em seus sentimentos a fraternidade, o amor pleno, com essa única ação estará transmutando aqueles 5 valores negativos, em positivos.

Se acrescentar a esse foco o contentamento, com essa ação dupla - imprimir em todo o ser o amor e o contentamento - estará trabalhando intensa e plenamente pelo ganho de valores morais-espirituais, e também de saúde e bem-estar.

Os sentimentos de amor e fraternidade no âmbito físico têm o poder de relaxar, eliminar estresse e possibilitar melhor circulação de energias no organismo, além de fortalecer o sistema imunológico. Equivale a saúde e bem-estar.

No âmbito espiritual são o melhor antídoto para o orgulho, o egoísmo, a ambição, a ganância, a agressividade e tantos outros valores negativos. Predispõem à paz, brandura, bom relacionamento, alteridade, compreensão, tolerância, equilíbrio e diversos outros valores positivos, abrindo caminhos para a sabedoria.

O amor e a fraternidade são estados de espírito. Para dar-lhes ação e direção seguras basta ter em foco a seguinte idéia: quero ser uma presença benéfica onde estiver.

Os sentimentos fraternos e de amor pleno, envoltos em júbilo, refletem o esplendor das leis de Deus. Imprimi-los continuamente nas próprias emoções é caminhar nessa luz.

Já o contentamento, além dos infinitos benefícios psíquicos e espirituais que produz, também é poderoso instrumento para fortalecer o sistema imunológico, beneficiando a saúde.

Esta é uma das infinitas formas de se crescer interiormente de forma consciente, planejada, organizada.

 

 

 

 

 

A importância do centro para o espírita

 

 

MUNDO:

Sombra espiritual.

Baixa freqüência vibratória.

 

CENTRO ESPÍRITA:

Nosso endereço de luz.

Elevação da nossa freqüência vibratória.

Defesa espiritual.

 

Quando nele ocorrem aborrecimentos, desentendimentos, desilusões, desmotivação...

Isto pode causar infinitos danos ao trabalhador, tais como:

 

1 - Mudança no foco de interesses.

2 - Diminuição na vontade/necessidade de contato com o Alto através de leituras, conversas de elevado teor, prece...

3 - Lento fechamento do canal interior de comunicação com o Alto.

4 - Queda vibratória.

5 - A questão “religiosidade” passa do terreno do sentimento para o dialético.

6 - Os interesses mundanos sobrepujam a fé.

7 - Desinteresse para com as questões espirituais.

8 – Surgem sentimentos de aversão aos espíritas e/ou Espiritismo.

9 - Afastamento do centro, com a afirmativa de que vai continuar espírita.

10 – A atração superior vai ficando cada vez mais tênue e as inferiores ganham mais força.

11 – Logo mais o Espiritismo é apenas uma LEMBRANÇA DISTANTE.

 

 

ENTÃO... COMO FICAM?

 

a) O programa reencarnatório.

b) A lacuna deixada pela sua ausência.

c) O compromisso com os planos superiores.

 

 

 

PORTANTO:

 

É fundamental cada um esforçar-se para que o ambiente do Centro que freqüenta seja mais fraterno, equilibrado e alteritário.

Mas, muitos perguntam: que fazer quando sentir-se incomodado com alguém na instituição espírita?

1 – Adotar postura alteritária. Aceitar o companheiro como ele é, procurando amá-lo e auxiliá-lo como for possível.

2 – Conforme o caso, fazer algo, agir:

a) Refletir sobre o problema, à luz da ética cósmica.

b) Observar com absoluta sinceridade as próprias motivações.

c) Conversar com o companheiro, com amor, sinceridade e humildade, no intuito de ajudá-lo a corrigir suas posturas.

 

 

Centro espírita, endereço da nossa vida espiritual.

 

Não estamos satisfeitos com a nossa Casa Espírita?

Em nosso entendimento o movimento espírita não vai bem?

O QUE NOS CABE FAZER?

Passar a mão no boné e ir embora?

Ou permanecer, dispostos a fazer o possível para que as coisas melhorem?

Lembrar que nada de produtivo se consegue com meras críticas e reclamações.

Quando algo ocorre diferente ou errado sob nosso ponto de vista, geralmente passamos a desenvolver crítica pensada ou falada, mostramo-nos indignados e sentimo-nos incomodados em estar ali. Este tipo de atitude gera vibração negativa que se imprime em nós e no ambiente, tornando-nos presenças negativas.

Mas se agirmos com alteridade. Se assumirmos uma posição mais humilde, aceitando a possibilidade de podermos estar errados em nossos conceitos; se pensarmos apenas nos benefícios que ali recebem os que vêm em busca de ajuda; se lembrarmos que, havendo boa-vontade da parte dos encarnados, os espíritos suprirão muitas falhas e, assim, permanecermos de coração aberto e a mente em repouso, estaremos beneficiando a nós mesmos e ajudando as atividades da Casa, oferecendo-lhe, além do nosso trabalho, uma presença benéfica, salutar.

No caso de podermos fazer algo para tornar melhores o ambiente e as atividades da instituição, lembrando que ela é também responsabilidade nossa, cumpre-nos fazer o possível nesse sentido, usando sempre o bom senso, falando e agindo com amor e humildade, perguntando sempre a nós mesmos: o que faria Jesus em situação semelhante? Mas é importante, nesses casos, não vê-Lo sob aquela ótica do “meigo Nazareno” e sim, a do Mestre, do grande Psicólogo sideral, que sabia falar e agir com acerto, com energia, firmeza ou brandura conforme a situação.

 

Tudo que está inserido no nosso movimento, desde os centros às instituições de caráter federativo, é co-responsabilidade de todo espírita.

 

 

Finalizando, vamos pinçar alguns trechos de um artigo de Frei Betto que circulou na Internet, sobre a alteridade.

“O que é alteridade? É ser capaz de apreender o outro na plenitude da sua dignidade, dos seus direitos e, sobretudo, da sua diferença. Quanto menos alteridade existe nas relações pessoais e sociais, mais conflitos ocorrem.

A nossa tendência é colonizar o outro, ou partir do princípio de que eu sei e ensino para ele. Ele não sabe. Eu sei melhor e sei mais do que ele. Toda a estrutura do ensino no Brasil, criticada pelo professor Paulo Freire, é fundada nessa concepção. O professor ensina e o aluno aprende. É evidente que nós sabemos algumas coisas e, aqueles que não foram à escola, sabem outras tantas, e graças a essa complementação vivemos em sociedade. Como disse um operário num curso de educação popular: "Sei que, como todo mundo, não sei muitas coisas".

“Numa sociedade como a brasileira em que o apartheid é tão arraigado, predomina a concepção de que aqueles que fazem serviço braçal não sabem. No entanto, nós que fomos formados como anjos barrocos da Bahia e de Minas, que só têm cabeça e não têm corpo, não sabemos o que fazer das mãos. Passamos anos na escola, saímos com Ph.D., porém não sabemos cozinhar, costurar, trocar uma tomada ou um interruptor, identificar o defeito do automóvel... e nos consideramos eruditos. E o que é pior, não temos equilíbrio emocional para lidar com as relações de alteridade.

Daí por que, agora, substituíram o Q.I. para o Q.E., o Quociente Intelectual para o Quociente Emocional. Por quê? Porque as empresas estão constatando que há, entre seus altos funcionários, uns meninões infantilizados, que não conseguem lidar com o conflito, discutir com o colega de trabalho, receber uma advertência do chefe e, muito menos, fazer uma crítica ao chefe.”

 “Aqui entra a perspectiva da generosidade. Só existe generosidade na medida em que percebo o outro como outro e a diferença do outro em relação a mim. Então sou capaz de entrar em relação com ele pela única via possível: a via do amor, se quisermos usar uma expressão evangélica; a via do respeito, se quisermos usar uma expressão ética; a via do reconhecimento dos seus direitos, se quisermos usar uma expressão jurídica; a via do resgate do realce da sua dignidade como ser humano, se quisermos usar uma expressão moral. Ou seja, isso supõe a via mais curta da comunicação humana, que é o diálogo e a capacidade de entender o outro a partir da sua experiência de vida e da sua interioridade.”

 

 

 

Contra-capa:

 

Nosso endereço

de luz...

 

PEDE MUDANÇAS

 

 

Tema altamente polêmico que precisa ser enfrentado, debatido e dissecado, a fim de que o movimento espírita possa tomar o rumo da ponte que deverá levá-lo à 3a etapa da sua história.