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A MEDIUNIDADE em época de transição

Saara Nousiainen

 

 

Palavras iniciais

 

Na fase de transição que ora vivenciamos, tudo está instável, como em análise. É como acontece durante a reforma de um edifício. Materiais são avaliados, retirados e atirados fora. Outros são aproveitados na nova construção.

É possível perceber em tudo uma espécie de aceleração, de recrudescimento dos acontecimentos na movimentação da própria vida, como a indicar que o momento não mais comporta acomodação nem omissão.

A hora é de decisões e de atitudes.

Ou cuidamos para que nossos “materiais” espirituais e vivenciais estejam em condições de ser aproveitados na nova construção, ou nos conformamos em ser atirados fora, ficando a aguardar novas primaveras no bojo do tempo, tendo em vista o crescimento que, neste momento de transição, é exigido de todos nós.

Podemos entender também que situação semelhante acontece com relação à mediunidade, ou melhor, à sua prática.

Daí este convite para refletirmos juntos, avaliarmos, repensarmos e buscarmos novos e melhores caminhos.

Conforme alertam irmãos maiores, há muitas coisas a mudar, outras a reforçar e outras ainda a eliminar para que as comunicações entre os dois mundos venham a cumprir mais amplamente as suas sublimes finalidades.

Sem qualquer intenção de orientar, tendo em vista a nossa insuficiência, queremos apenas alertar, amparados nas informações e exortações provenientes da dimensão espiritual.

Vamos então refletir juntos?

 

 

Práticas espíritas

 

Poderíamos comparar as práticas espíritas a uma carroça puxada pelos progressistas, tendo na retaguarda os ortodoxos pisando fundo no freio.

Na verdade, tal composição é importante para que essa carroça não corra depressa demais, podendo perder-se nos descaminhos. Mas como todo excesso é prejudicial, entendemos que os do freio estão pisando fundo demais, travando um progresso mais que necessário. Então vamos encontrar um movimento espírita atuando, em muitas das suas ações, no mesmo formato de 40 anos atrás.

Se, conforme a codificação do Espiritismo, já estamos ensaiando os primeiros passos nessa transição de “provas e expiações” para “mundo de regeneração”, devemos lembrar que transição pede mudanças. Assim, o que é necessário fazer? Permanecer como antes ou participar ativamente para que ela se dê mais depressa e de forma mais fácil?

Surge então uma pergunta: o que é necessário mudar?

Certamente as carências são muitas, mas vamos tratar neste opúsculo especialmente daquelas que se referem à mediunidade, cujas práticas pouco evoluíram nos últimos quarenta anos.

 

Vamos pinçar alguns trechos do prefácio do livro Lírios de Esperança, psicografado por Wanderley S. Oliveira, no qual Dona Maria Modesto Cravo* fala sobre a mediunidade em período de transição:

“Apesar da luz dos conhecimentos espíritas, o tesouro espiritual das informações não tem sido suficiente para despertar muitos adeptos a uma nova ordem de atitudes e idéias face aos desafios da ordem presente.”

“O intercâmbio interdimensional nesse contexto, que poderia servir de fortaleza aos mais auspiciosos projetos de liberdade e ascensão, em inumeráveis casos, não passa de enxada afiada em plena semeadura à espera do lavrador que a deseje manejar a contento.”

“(...) A história é a mãe da cultura, e a cultura é o conjunto das noções que os homens aceitam como referências para se conduzirem em seus grupos. A cultura espírita, em torno das questões mediúnicas, responde por uma mentalidade que inspira práticas e posturas nem sempre ajustadas aos reclames do tempo espiritual da transição. Transição é o tempo mental da renovação, a hora do recomeço e da reavaliação. Nesse cenário, os aprendizes da mediunidade serão aferidos com rigor. Muita coragem e sacrifício serão exigidos de quem realmente anseia servir sob novos e mais apropriados regimes, nesse tempo de contínuas mudanças.” (Grifos nossos)

 

Essas palavras de D. Modesta podem parecer de muita exigência para os candidatos a uma mediunidade em níveis mais avançados, mas importa lembrar que, geralmente, os médiuns acima referidos são espíritos que vêm conseguindo liberar-se de graves envolvimentos com ações contrárias ao bem, em vivências passadas. Muitos deles ainda trazem, na acústica da alma, recordações a subirem para o consciente, de forma vaga, mas que indicam a necessidade de maior doação e das renúncias que forem necessárias à priorização da sua tarefa mediúnica.

Já outros assumem tais tarefas sem maiores compromissos do passado, mas como uma poderosa alavanca para o próprio crescimento, ou ainda, simplesmente, por amor e dedicação à causa. São pessoas conscientes da necessidade inadiável de trabalhar pela libertação e asseio psíquico da Terra.

 

Dona Modesta continua:

“(...) Indispensável romper conceitos, vencer barreiras intelectuais e ter a ousadia para esculpir os novos modelos de relação intermundos, retirando a mediunidade do dogmatismo que aprisiona o raciocínio humano, e da tristeza que estorcega o coração como se os médiuns cumprissem severa sanção.”

“Sem exageros, vivemos um tempo em que as comportas mediúnicas, a despeito de estarem em plena movimentação, não permitem que a linfa cristalina da imortalidade goteje com a necessária abundância por suas frestas, para dessedentar o homem aprisionado ao deserto das paixões materiais...”

“Vivemos uma nova proibição mosaica como a do Velho Testamento! Proibição essa mais nociva que a dos velhos textos hebreus, porque não se faz por decretos formais, passíveis de serem revogados, mas sob a coação impiedosa do preconceito sutil, das convenções estéreis e de sofismas aprisionantes – hábitos de difícil extirpação da mente humana.”

“Um clamor ao serviço abnegado e consciente na regeneração da humanidade em ambas as esferas de vida, formação de frentes corajosas de amor, tarefas maiores de libertação e asseio psíquico da Terra. Eis os desafios delegados pelo Cristo a todos que O amam. Desafios que, em muitas oportunidades, são substituídos pela atitude impensada da acomodação...”

“Enquanto inúmeros aprendizes da mediunidade optam pelo fascínio da mordomia para servirem, preferindo o serviço mediúnico distante do sacrifício e nos braços do convencionalismo, Jesus conta com os destemidos, dispostos à segunda milha das ações que ultrapassam o comodismo inspirado na rigidez da pureza filosófica.”

 “O sentimento da imortalidade precisa ser construído na intimidade do homem reencarnado. É instrução a serviço da espiritualização. Essa instrução, no entanto, carece de aplicação prática que retrate quanto possível a realidade imortal. Daí o imperativo de vivências mediúnicas incomuns, para além dos rígidos padrões de segurança e utilidade consagrados pela comunidade doutrinária.”

*Maria Modesto Cravo (1899-1964), curada por Eurípedes Barsanulfo, atendendo sua sugestão, foi a principal fundadora do Sanatório Espírita de Uberaba (MG). Excelente médium, foi o braço direito do Dr. Inácio Ferreira na utilização de sessões mediúnicas desobsessivas aliadas ao tratamento psiquiátrico dos pacientes. Hoje, na dimensão espiritual, desenvolve inúmeras tarefas no Sanatório Esperança (no plano espiritual) e através da mediunidade, aqui na Terra, com amor e imenso devotamento.

OBSERVAÇÃO:

Alguns espíritas têm se voltado contra as obras de Ermance Dufaux, psicografadas por Wanderley S. Oliveira, alegando que contrariam o movimento de unificação da Federação Espírita Brasileira - FEB.

Também sobre isso é preciso refletir com bom senso. Se esse movimento de unificação pretende uniformizar as práticas espíritas, isto certamente contraria o próprio princípio de liberdade que a doutrina preconiza. Se tenciona unir os espíritas em torno do mesmo ideal, então as obras da Ermance são mais que importantes nesse contexto, por aprofundarem a questão da necessidade de vivenciarmos os conteúdos espíritas, desenvolvendo mais amorosidade, humildade, alteridade e sinceridade em todos os momentos e situações.

 

Inúmeras têm sido as comunicações procedentes do mundo espiritual que falam sobre a necessidade de vencer barreiras intelectuais para vivenciar a comunicação interdimensional de forma mais plena. Muitos espíritos ilustres reclamam dizendo que sentem como se tivessem morrido duas vezes: a primeira, pela desencarnação; e a segunda, quando se aproximam de médiuns visando comunicar-se e estes se recusam a recebê-los, por medo do que os companheiros possam dizer.

Diante disso, podemos observar algumas situações que precisam ser repensadas:

1 – A cultura do melindre nos meios espíritas gerou situações em que o médium se nega a receber um espírito mais elevado, para não acabar sendo “fritado” pelos companheiros do grupo, quando deveria ser fiel ao mandato que lhe confiaram, mesmo que isto significasse o calvário de que fala D. Modesta.

2 – Os grupos mediúnicos deveriam trabalhar intensamente para erradicar os melindres. Além de prejudiciais aos próprios trabalhos, escondem em seu bojo o orgulho e a vaidade.

3 – Enquanto alguns médiuns se sentiriam inflar de vaidade por “receber” espíritos ilustres, outros adotam a cultura da indignidade que vige nos meios espíritas: “Quem sou eu para receber tal espírito?”, “Imagine eu psicografando com espíritos como fulano ou sicrano”...

 

Será que o melindre, a vaidade ou a cultura da indignidade poderão servir aos propósitos evolutivos da espiritualidade? Não seria mais coerente os médiuns e os grupos mediúnicos se esforçarem mais pelo próprio crescimento interior, a fim de se apresentarem como instrumentos adequados a comunicações com espíritos de mais elevada estirpe? Certamente é o caso de esses grupos começarem a desenvolver mais ações e de forma mais intensa, visando melhorar o nível espiritual dos seus membros para que os comunicantes possam encontrar instrumentos à altura.

Um grupo mediúnico que consiga eliminar os melindres, gerar afetividade entre seus membros e realizar, ao término de cada sessão, análise das manifestações, com sinceridade, mas com muito amor, evitará que seus médiuns se façam portadores de mistificações e de animismo em níveis prejudiciais.

Na verdade, há muitas coisas a serem repensadas, outras a serem mudadas, e outras ainda a serem aprendidas, para que as comunicações entre nós e o mundo espiritual venham a cumprir mais amplamente as suas sublimes finalidades.

 

Oferta de Deus

 

Nunca devemos temer a mediunidade, mas cultivá-la com amor, como instrumento ofertado por Deus, através do qual podemos não apenas resgatar dívidas e cumprir compromissos, mas também perceber presenças sublimes, vivenciar momentos de soberanas emoções, participar de ambientes, atividades e situações tais, que as palavras não conseguem descrever. Mesmo que esses momentos sejam raros, oferta daqueles que nos amam e nos assistem, são tão grandiosos e deixam marcas tão profundas na alma que os anos não conseguem apagar. E essas marcas são assim como núcleos floridos cheios de paz e harmonia nas profundezas do espírito, onde podemos buscar novo alento, novas motivações para viver e sentir felicidade, sempre que a vida nos machuca ou se torna amarga ou triste.

 

  

Perigos na comunicação entre os dois mundos

 

Um dos grandes perigos na comunicação interdimensional é o médium trabalhar isoladamente, sem o suporte de um grupo que analise suas produções, aconselhe-o quando entender necessário e lhe dê assistência quando sofre assédios espirituais.

Alguns médiuns preferem psicografar em casa, para melhor aproveitar o tempo. Mesmo nesses casos, é importante tomar-se sempre todos os cuidados possíveis, além de buscar apoio de um grupo do qual participe semanalmente e que possa analisar suas produções, dialogar abertamente, sem melindres, praticando a crítica saudável.

O médium que trabalha sozinho, sem esse suporte, está muito mais sujeito a se deixar envolver nas sutis armadilhas dos “trevosos”, que tudo fazem para apagar qualquer luz que se acenda na Terra.

E eles SABEM como fazê-lo.

 

**************

 

Outro perigo, e dos maiores, está nos elogios que o médium porventura venha a receber em função das suas faculdades ou qualidades. Certamente, são bem mais perigosos que as críticas, por incentivarem e nutrirem a vaidade, podendo colocar seu portador nos primeiros passos para a fascinação, a mais perigosa das obsessões.

Nesse capítulo das vaidades, muitas vezes acontece o seguinte: quando pedimos a alguém para não nos elogiar, dizendo que não há fundamento para isso, esse alguém, geralmente, fica ainda mais encantado, afirmando que essa nossa atitude demonstra a grande humildade que já conseguimos desenvolver etc., e a chuva encomiástica continua indefinidamente. Nesses casos, uma saída razoável é a de não responder ao elogio e mudar imediatamente de assunto. Além disso, não se deve guardá-lo no coração como bagagem meritória que nos foi oferecida. Esse é um lastro enganoso que se avoluma depressa e pode nos fazer cair desastrosamente.

As pessoas estão acostumadas a elogiar, porque instintivamente esperam também receber louvores. Por isso dificilmente são verdadeiros e, quando o são, estão carregados de exageros. Portanto, aceitá-los como realidade, além de ser tolice, é perigoso.

 

 

Em caso de dúvida

 

Durante as atividades mediúnicas, inúmeras vezes o médium se defronta com situações que lhe deixam dúvidas. Às vezes não se sente seguro com relação a determinada comunicação; de outras, algo não se encaixou bem... e ele se preocupa...

Nessas situações, freqüentemente vai procurar orientação junto a outros companheiros e nem sempre consegue tranqüilizar-se por completo.

Em quaisquer casos de dúvida, no entanto, o próprio médium possui canais interiores para encontrar respostas e orientações seguras, mas para que esses canais estejam livres de influências perniciosas, é preciso limpar a alma de quaisquer idéias ou sentimentos negativos; relaxar e harmonizar-se; desenvolver sentimentos de amorosidade e buscar contato com as esferas mais altas, não na aflição dos conflitos, mas na serenidade da confiança e na elevada freqüência do amor. E para escapar de possíveis mistificações, porque há espíritos tão capacitados a mistificar que conseguem enganar até os mais espertos médiuns, é importante procurar SENTIR se a vibração da comunicação que chega é de natureza superior ou não.

Dessa forma, deve-se, sem pressa, procurar sentir, perceber ou mesmo ver ou ouvir, se tiver tais faculdades, a resposta do Alto, a orientação que chega. Ela pode também vir por outros meios como sonhos, geralmente em formatos simbólicos, ou mesmo como uma firme convicção, uma certeza de que esse é o caminho.

 

Crianças médiuns

 

Certa feita fui visitar um centro em Belo Horizonte. O grupo mediúnico era formado por uma fila de médiuns, todos sentados e de mãos dadas. Os assistidos vinham um por um colocar as mãos nos ombros do primeiro da fila. Em seguida o espírito que estava perturbando aquela pessoa incorporava-se num dos médiuns e ali era doutrinado. Em muitos casos vários obsessores se manifestavam.

Havia entre os médiuns um menino de 11 anos, cujas incorporações me pareceram absolutamente autênticas. O dirigente informou-nos que aquele garoto tinha sofrido muito desde pequeno, por causa de uma mediunidade totalmente aflorada e por isso fora encaminhado para o trabalho de intercâmbio.

Condicionada às idéias vigentes nos meios espíritas, julgava lamentável a atitude daquele dirigente. Isto se deu até eu ir a Belém-PA conhecer o Centro Espírita do Nazareno, dirigido pelo respeitado escritor espírita, dramaturgo, membro da Academia Paraense de Letras, Nazareno Tourinho.

Ali, tive oportunidade de assistir a um trabalho de desobsessão com a participação de um garoto de 12 anos. Pareceu-me um pré-adolescente tranqüilo, com ar alegre de quem está de bem com a vida, apesar do respeito e do senso de responsabilidade que demonstrava para com as coisas espirituais.

Perguntei ao Nazareno por que permitia ali tal procedimento, considerado incorreto nos meios espíritas.

Contou-me, então, alguns casos de crianças que ali chegaram após anos de sofrimentos seus e de seus familiares, por causa de uma mediunidade aflorada, e que encontraram em seu exercício o remédio que a medicina não pudera oferecer. Sugeriu-me reler um trecho de O Livro dos Médiuns, no capítulo XVIII, item 221, alíneas 7 e 8, quando, em seguimento a um alerta sobre a inconveniência de se desenvolver a mediunidade em crianças, encontramos o seguinte:

“Mas há crianças que são médiuns naturais, seja de efeitos físicos, de escrita ou de visões. Haveria nesses casos o mesmo inconveniente?

Não. Quando a faculdade se manifesta espontânea numa criança, é que pertence à sua própria natureza e que a sua constituição é adequada. Não se dá o mesmo quando a mediunidade é provocada e excitada. Observe-se que a criança que tem visões geralmente pouco se impressiona com isso. As visões lhe parecem muito naturais, de maneira que ela lhes dá pouca atenção e quase sempre as esquece. Mais tarde a lembrança lhe volta à memória e é facilmente explicada, se ela conhecer o Espiritismo.”

“Qual a idade em que se pode, sem inconveniente, praticar a mediunidade?

Não há limite preciso na idade. Depende inteiramente do desenvolvimento físico e mais particularmente do desenvolvimento psíquico. Há crianças de doze anos que seriam menos impressionadas que algumas pessoas já formadas.”

Diante de tais fatos e explicações, percebemos o quanto é importante procurarmos ser sempre mais flexíveis e nunca achar que somos os detentores da verdade, porque a própria verdade também sofre modificações no bojo da evolução.

 

Psicofonia ou incorporação?

 

 Nos últimos anos, a psicofonia vem sendo apresentada como sinônimo de incorporação, o que não é correto, porque nessa modalidade o espírito se utiliza das cordas vocais do médium, além da sua mente. A própria palavra psicofonia já o diz, pois só habilita o espírito a falar.

Há faculdades cujas manifestações estão mais próximas da intuição. Nelas o médium é envolvido pelas forças espirituais, percebe a presença do comunicante e consegue transmitir seu pensamento ou sua emoção (o momento que esse espírito está vivenciando) em palavras. Nesses casos, quem assiste pode achar que está havendo uma incorporação, mas não é bem isto que ocorre. Esse médium não sente no próprio corpo as sensações ou mesmo o comando do comunicante, apenas interpreta o que lhe vai no pensamento e/ou nas emoções e sensações. Nessas situações, é fácil perceber como a manifestação é mais verbal do que emotiva e física. Isto, no entanto, não minimiza a importância do trabalho do médium, desde que procure ser uma fonte de harmonia e amor direcionada ao manifestante, quando tratar-se de sofredor ou obsessor. No caso de ser um espírito benfeitor, basta que o médium permaneça em atitude fraterna, embora absolutamente passiva, não permitindo que seu pensamento interfira na comunicação.

Este nível de mediunidade muitas vezes dá margem a que digam haver ali mais animismo que outra coisa. Por isso é importante não considerar alguém anímico, só pelo fato de suas comunicações não serem tão convincentes, em termos de manifestação, como de outros companheiros. O bom médium é principalmente aquele que se dedica à tarefa, é responsável e cuida de manter conduta adequada, vivenciando a humildade e a honestidade, buscando desenvolver seus potenciais de amor e emitir vibrações dessa natureza, principalmente durante os trabalhos.

No outro extremo, passando pelos mais variados níveis, teremos uma faculdade que permite ao espírito comandar o corpo do medianeiro, desde a sua fala até aos movimentos. Nesses casos, o médium incorporado pode falar, andar, movimentar-se à vontade, executar atividades como cirurgias etc. Nos trabalhos de terreiro, como na Umbanda e no Candomblé, os espíritos também lhe dominam totalmente o corpo, daí o chamarem de “cavalo”.

O mesmo acontece nos casos de possessão, em obsessões mais graves.

 

Animismo e mistificação

 

Existem médiuns que habitualmente incorporam ou detectam, pela vidência ou audição, espíritos de pessoas famosas, recém-desencarnadas, ou daquelas de que a imprensa trata com mais intensidade. Outros “recebem” sistematicamente entidades das mais conhecidas e amadas nos meios espíritas, e assim por diante.

Até que ponto se pode ter certeza de que tais ocorrências são anímicas, ou mesmo, mistificações?

Há muitos tipos de animismo, desde aqueles em que a comunicação parte da mente do próprio médium, em que este repete clichês existentes em seu inconsciente, em que revive situações de suas vidas passadas, até aqueles em que insere o próprio pensamento ou personalidade na comunicação de espíritos.

Pode-se mesmo dizer que, em toda comunicação mediúnica, há maior ou menor grau de animismo. O espírito, para comunicar-se, utiliza-se da mente do medianeiro, com todos os seus componentes psíquicos, seus potenciais, seus conhecimentos, porque ele não é um mero aparelho, como erroneamente muitos o denominam.

Inúmeros companheiros criticam acerbamente alguns trabalhos ou grupos, cujos médiuns seriam anímicos, obsidiados ou mistificadores, porque as suas incorporações repetem sempre os mesmos estilos. Num dos que freqüentei, havia uma médium que, ao incorporar algum sofredor, invariavelmente começava assim: “Ai, meu Deus, onde é que eu estou?...” E seguia lamentando suas dores e aflições, apresentando sempre situações mais ou menos semelhantes. Outra médium, quando recebia um obsessor, este chegava valente, agressivo, cheio de ódio e revolta ou então zombeteiro, quando não, fazendo-se de bêbado e pedindo mais bebida; mas, com alguns minutos de doutrinação, ia logo dizendo: “Eu já entendi tudo, graças a Deus. Que Deus ilumine vocês cada vez mais e mais, para que possam continuar neste trabalho de luz... etc.”

Analisando esses dois casos, podemos ver no primeiro a manifestação do inconsciente da médium, usando clichês sempre repetidos, talvez trazendo à tona algum ponto traumático de sua vida atual ou passada.

Podia também tratar-se de um espírito mistificador fazendo-se passar por quem não era. Dificilmente se trataria de mistificação da própria médium, criatura humilde, que nada indicava poder assim agir. Creio que todos do grupo pensavam dessa forma, porque nunca lhe foi demonstrada qualquer crítica ou rejeição. Certamente todos também vibrávamos com muito amor direcionado a ela durante as suas comunicações, porque sabíamos que essa boa vibração não se perderia. Seria sempre bem aproveitada de uma ou de outra maneira.

Já o outro caso sinaliza mais para a presença de um mistificador do que para animismo.

É até possível que algum espírito obsessor (a depender também da intensidade do seu ódio) decida-se a mudar de vida apenas com uma curta doutrinação de poucos minutos, porque a vibração que lhe é dirigida, na elevada freqüência do amor, pode realmente levá-lo a perceber melhor sua situação e decidir-se a mudar de rumo.

Mas a repetição contínua de resultados semelhantes indica claramente que ali está um enganador fazendo-se passar pelo que não é, porque, quando um obsessor empedernido na prática do mal resolve mudar de vida, não começa logo por um discurso parecido com o de espíritos mais evoluídos. Ele pode até emocionar-se, e muito, pela ajuda que ali recebeu, pelo novo caminho de esperança que se abriu diante dele e até mesmo pelo alívio do perdão que concedeu a seu inimigo. Pode mostrar-se grato, mas reconhecendo sempre sua condição de inferioridade espiritual com relação aos demais. Muitas vezes esses espíritos prometem voltar para de alguma forma ajudar seus benfeitores, pela gratidão que sentem, mas jamais iriam proceder como alguém com prerrogativas para invocar bênçãos.

Por causa das inúmeras situações que podem acontecer num grupo mediúnico, seria extremamente importante que a reunião sempre se encerrasse alguns minutos antes, e o tempo restante fosse aproveitado para uma avaliação. Mas para isso é necessário um trabalho prévio com o grupo visando eliminar os melindres e fazer com que todos se habituem a discutir os problemas “olho no olho”, com franqueza, sem máscaras e com amor.

 

  Desobsessão em outros formatos

 

Na desobsessão habitual, nos meios espíritas, só um espírito se comunica de cada vez, reduzindo drasticamente o número de atendimentos. No Centro Espírita do Nazareno, observei que trabalhavam simultaneamente uns 15 médiuns, atendidos por um exército de doutrinadores e de ajudantes, que cuidavam com carinho da sua segurança e bem-estar, quando se incorporavam. Vez por outra, algum deles, lançado ao chão por um espírito mais agressivo, era sempre amparado pelos auxiliares que lhe colocavam um travesseiro sob a cabeça para não se machucar, e a doutrinação acontecia ali mesmo, sem nenhum problema.

As atividades naquela casa espírita não se desenrolam em torno de uma mesa, mas em várias salas, cujo mobiliário consta de bancos acolchoados, que se transformam em macas, quando necessário. E é nesses bancos encostados à parede que se incorpora a maioria dos médiuns.

Soube que os trabalhos de desobsessão vinham sendo realizados ali há mais de cinco anos, sempre nesse formato. Observando, pinçando uma informação aqui, outra ali, conversando com uns e outros dos trabalhadores e dos assistidos, fui sentindo cada vez mais respeito por aquele modelo. Não foi possível verificar quantos espíritos foram atendidos naquela noite, mas foram muitos. Certamente esse método é bem mais produtivo.

Fiquei então a me perguntar por qual motivo toda sessão mediúnica teria de ser realizada em torno de uma mesa. Não encontrei resposta.

 

Anos mais tarde, conheci outro grupo de trabalhos mediúnicos que não segue o modelo tradicional.

Participei de uma das suas sessões, que me encantou pela profundidade e complexidade das ações. A sala estava sem móveis; o chão coberto com tatame; os participantes sentados no chão, ao longo das paredes; o ambiente era absolutamente fraterno.

Após o início dos trabalhos, um médium clarividente informou que havia um implante, uma espécie de chip, na coluna vertebral de uma pessoa que estava sendo tratada de uma obsessão complexa, de longa duração. Ela foi colocada deitada no chão, de bruços, e dois médiuns, num processo bastante complexo, fizeram a retirada do implante. Em seguida, eles se deitaram também, cada um de um lado, segurando cada qual uma de suas mãos. A doutrinadora, utilizando alguns comandos próprios da apometria*, fez passarem para os dois médiuns e deles para o chão energias pesadas que nenhum passe tinha conseguido eliminar. Os médiuns se contorciam e gemiam, em sofrimento com aquela descarga. Depois houve manifestação de um obsessor que era o principal promotor daquela perseguição.

A pessoa atendida nos contou, tempos depois, que nunca se sentira tão bem quanto após aquele trabalho. Dizia estar em estado de graça, após tão longos anos de intensos sofrimentos. Havia procurado a medicina e passara por tratamentos em outros centros espíritas, sem qualquer resultado.

 Como se sabe, existe a obsessão simples e a complexa. Na complexa, a vítima é assediada por especialistas das sombras que trabalham com implantes de aparelhos parasitas; usam campos de força dissociativos ou magnéticos de ação contínua; fixam no obsediado espíritos em sofrimento atroz, visando parasitá-lo ou vampirizá-lo, etc. Pode também haver trabalhos de magia negra.

Em nossa ingenuidade, geralmente preferimos acreditar que nada disso existe, mas, ao lermos algumas obras psicografadas por Divaldo Franco, por Robson Pinheiro e outros médiuns, percebemos que as cortinas se entreabrem, mostrando mais um pouco do que ocorre nas regiões inferiores do mundo espiritual.

Também nos trabalhos mediúnicos de maior profundidade, tais situações se fazem presentes, mostrando a extraordinária capacidade dos cientistas e técnicos das sombras, que se utilizam de avançadíssimos recursos para suas atividades malfeitoras.

 

* A apometria tem sido motivo de discussão e polêmica nos meios espíritas. Alguns entendem que ela pode ser aplicada em reuniões de desobsessão, outros refutam vigorosamente tal idéia, afirmando que tais conhecimentos e técnicas não fazem parte dos conteúdos espíritas.

Como não é possível tomar posição correta apenas por ouvir dizer, convém lembrar aquela recomendação apostólica para se procurar conhecer de tudo e reter o que for bom.

Os interessados em melhor conhecer a apometria encontram valioso material em sites como:

         http://www.sbapometria.com.br/

         http://www.geocities.com/Vienna/Strasse/5774/

Por achar interessantes, pinçamos alguns trechos extraídos desses sites:

“A apometria foi desenvolvida por um médico, médium e espírita chamado Dr. José Lacerda. Juntamente com sua esposa Dna. Yolanda trabalhou durante anos em atendimentos espíritas na Casa do Jardim, em Porto Alegre-RS. Durante todo esse tempo dedicado à caridade, ele foi desenvolvendo, juntamente com a espiritualidade, técnicas que conseguissem maior resultado, maior penetração e eficácia nos tratamentos espirituais.”

“(...) Apometria é uma técnica que permite com razoável facilidade, a um grupo de médiuns treinados, a indução para estados de desdobramento dos corpos mediadores; em especial o etérico, o astral e o mental. É também importante ferramenta de criação de campos de força.

Não basta somente o conhecimento da técnica em si, mas é fundamental a egrégora que se forma durante os trabalhos, pois, é proveniente de cada elo da corrente, a sustentação mental para que os benfeitores espirituais possam agir em padrões vibracionais, que normalmente exigiriam grande dispêndio de energia e esforço das falanges socorristas, que dão apoio a esses trabalhos de cura desobsessivos”.

“(...) REGRA DE OURO DA APOMETRIA: aqui, no entanto, devemos clarinar um vigoroso alerta para os entusiasmos que possamos estar provocando. Como fundamento de todo esse trabalho – como, de resto, de todo trabalho espiritual – deve estar o Amor. Ele é o alicerce. Sempre. As técnicas que apontamos são eficientes, não temos dúvidas. O controle dessas energias sutis é fascinante, reconhecemos, pois desse fascínio também sofremos nós. Mas se tudo não estiver impregnado de caridade, de nada valerá. Mais: ao lado da caridade, e como conseqüência natural dela, deverá se fazer presente a humildade, a disposição de servir no anonimato.”

 “(...) Advertimos: através da obediência dos preceitos evangélicos, somente através dela, experimentadores e operadores podem desfrutar de condições seguras para devassar esses arcanos secretos da Natureza, com a adequada utilização dessas "forças desconhecidas".

Das finalidades da apometria, apresentadas nos sites, destacamos as seguintes:

“• Estudar, praticar e difundir os princípios da Doutrina Espírita, no sentido universalista, nos aspectos de: Ciência, Filosofia e Religião;

• Estudar os assuntos científicos paranormais e os relacionados com o campo da psicobiofísica;

• Enfatizar entre os homens, a necessidade da renovação interior à luz do Evangelho, como único caminho para a conquista da Paz e da Felicidade;

• Proporcionar atendimento psíquico espiritual gratuito, aos necessitados, com ênfase na aplicação das técnicas apométricas;”

 

Quanto às afirmativas de que a apometria não faz parte dos conteúdos espíritas, convém lembrar que esses conteúdos (a codificação) foram escritos há século e meio, e que ali se recomenda que o espiritismo caminhe sempre com a ciência, ou seja, o conhecimento.

Pelo pouco que conheço sobre apometria, parece claro que ela veio para cuidar principalmente dos casos de obsessões complexas, dessas que são impermeáveis à doutrinação comum, por se tratar de espíritos “profissionais do mal”.

Já presenciei inúmeras vezes alguém chegar num centro espírita a procura de ajuda, dizendo-se vítima de trabalhos de terreiro e receber a ingênua resposta: “Ora, isso não existe. Vem aqui tomar passe, assistir a palestras, faz o evangelho no lar e vai ficar bom”.

 

 

Equipe de trabalhos mediúnicos

 

O ideal é que um grupo mediúnico consiga transformar-se numa equipe, numa família espiritual, na qual todos os membros se liguem uns aos outros por laços de verdadeiro afeto.

Tivemos oportunidade de conhecer mais de perto dois grupos assim.

Um deles é aquele em que ocorreu a retirada do implante, acima citado. Como todos os grupos mediúnicos produtivos, esse também já passou por muitos altos e baixos, problemas os mais variados, até que todos fizeram um pacto de afetividade entre si, passando a realizar encontros sistemáticos visando conversar abertamente, olho no olho, como irmãos muito fraternos, procurando dirimir as diferenças e aproximar corações, sem máscaras.

Esse grupo é daqueles que são muito perseguidos por legiões trevosas, organizações do mal que trabalham com afinco para anulá-los, em razão das suas atividades em defesa de vítimas de obsessões complexas e pela ousadia que demonstram em atrapalhar seus tenebrosos planos.

Na outra vertente vamos encontrar também poderosas organizações do mal, cuja meta é anular os efeitos evolutivos das atividades espíritas. É como a árvore que dá bons frutos, tornando-se alvo da sanha inimiga.

Essas organizações pouco se importam com os estudos doutrinários que são realizados nos centros, com as palestras e os passes, nem com atividades caritativas. A sua meta é não permitir que os conteúdos espíritas cheguem aos corações das pessoas, realizando ali as tão necessárias transformações interiores.

Os resultados da sua atuação são fáceis de perceber se observarmos as prioridades nos meios espíritas. São raros os grupos ou centros que realizam atividades exclusivamente voltadas para o crescimento interior das pessoas; que procuram encontrar meios práticos, tais como oficinas, para desenvolver amorosidade, humildade, alteridade, bom convívio e demais valores nos seus freqüentadores.

Nos meios espíritas, não se dão aulas de amor e isto certamente reflete a atuação das referidas organizações.

Felizmente, desde alguns anos vêm vertendo da dimensão espiritual mensagens e mais mensagens indicando a necessidade premente de se passar a vivenciar, de fato, os conteúdos espíritas, ou seja, situar o espiritismo no coração, pois, como disse o espírito Ermance Dufaux, “Espiritismo na cabeça é informação, no coração é transformação”.

É justamente essa transformação que as organizações trevosas não querem ver acontecer.

 O outro de que falamos é o Grupo Carlos Eduardo, da Comunhão Espírita de Brasília, que conseguiu transformar-se numa verdadeira equipe, após “ouvir” e pôr em prática determinadas orientações espirituais recebidas, entre as quais do Espírito Odilon Fernandes, Diretor-Geral do Liceu da Mediunidade (Instituto existente no plano espiritual, que visa à preparação de médiuns em fase pré-reencarnação)

Dentre as orientações do Dr. Odilon, destacam-se:

a) apadrinhamento de uma entidade assistencial – de qualquer natureza –, que pudesse ser visitada regularmente, com vistas ao recebimento de auxílio material e principalmente espiritual;

b) realização mensal do Evangelho no Lar, na residência de todos os participantes;

c) estudo intensificado de obras de cunho evangélico e doutrinário.

A implementação dessas orientações foi acontecendo lentamente e hoje o grupo desenvolve diversas atividades sistematicamente, tanto dentro quanto fora da instituição. Dá atendimento tanto material quanto espiritual a uma creche, denominada Ampare, que atende a crianças deficientes físicas e/ou mentais, de 03 a 16 anos, localizada na Vila Planalto, em Brasília.

A cada três meses, o grupo viaja até Palmelo, cidade distante aproximadamente 300 km de Brasília. Essa comunidade, de aproximadamente 5.000 habitantes, considerada a primeira cidade espírita do mundo, foi erigida no primeiro quartel do século XX pelo bandeirante espírita Jerônimo Cândido Gomide, conhecido por Candinho, discípulo de Eurípedes Barsanulfo. Recebeu do Apóstolo Sacramentano, quando ainda em vida física, a incumbência de partir em missão apostólica rumo ao interior brasileiro. Melhores e maiores detalhes sobre este desbravador e suas atividades, podem ser obtidos no livro “De Sacramento à Palmelo”, de Agnelo Moratto.

É uma cidade de baixa renda per capita, reduzida área urbana e rural.

Para facilitar a locomoção até Palmelo e integrar mais ainda os membros da comitiva, a viagem é feita em um microônibus com 26 lugares. Durante boa parte do percurso de ida e volta os companheiros cantam e permanecem em vigília e oração. Esta foi uma das recomendações dos guias espirituais, pois, o assédio dos espíritos contrários é bastante intenso. A reunião de desobsessão do grupo, que ocorre na noite anterior à viagem, é totalmente direcionada ao desimpedimento das forças contrárias ao trabalho do Bem.

Também o Evangelho no Lar foi implantado pelo grupo, assim como os estudos, tanto dos livros da codificação quanto de outros complementares, tais como, os da série André Luiz ou relacionados à mediunidade aplicada.

As reuniões mediúnicas são sempre antecedidas por preparo adequado, visando harmonizar o ambiente e elevar a freqüência vibratória do grupo.

O trabalho de atendimento aos espíritos (em sua maioria são obsessores e membros das organizações trevosas às quais já nos referimos) possibilita geralmente a simultaneidade de duas, no máximo três, manifestações. Os médiuns de sustentação permanecem em prece, durante os trabalhos; vez em quando um ou outro é chamado para aplicação de passe ou realização de oração direcionada, sempre em voz alta.

Ao final, são direcionadas vibrações aos ocupantes de cargos públicos (presidente, governantes, políticos, de uma maneira geral, magistrados); aos indigentes, presidiários, doentes do corpo e da alma; aos líderes do planeta, com ênfase à determinada região de turbulência; a problemas específicos do País, como aqueles abrangidos pela febre aftosa ou eventuais crises políticas. Também são contemplados pelas vibrações os lares e locais de trabalho dos membros do grupo, os familiares de cada um. Da mesma forma, são citados nominalmente todos os ausentes à reunião da noite.

A atividade é sempre encerrada com uma avaliação geral e comentários sobre as ocorrências.

 

Trabalhos como alguns dos que descrevemos costumam ser alvo de muitas críticas nos meios espíritas, acostumados a uma mesmice que foi se consolidando ao longo das décadas.

São críticas e julgamentos que precisam ser repensados.

Costumamos criticar acerbamente aqueles que “fazem de forma diferente” da maneira a que estamos habituados.

Reflitamos um pouco sobre essa questão:

1 – Esse tipo de crítica é destrutivo, porque serve apenas para criar em torno do criticado uma aura de negatividade.

2 – Ao criticarmos alguém, estamos nos posicionando acima dele, praticando, dessa forma, o orgulho.

3 – Quantas vezes aquilo que criticamos nos outros acabamos adotando para nós mesmos, ao percebermos que eles é que estavam certos. Os nossos conceitos e a nossa ótica vão se modificando à medida que ascencionamos em nossa escalada evolutiva.

4 – A crítica, irmã gêmea da maledicência, é algo extremamente prejudicial, por denegrir a imagem de alguém. Quem as pratica deveria lembrar-se de que más palavras são como as penas que atiramos ao vento do alto de um edifício. Se, ao percebermos nosso engano, quisermos recolhê-las, isto será impossível. O vento as terá levado para os mais distantes lugares.

Aí, só nos restará o arrependimento.

  

Desobsessão

 

Nos casos mais difíceis de desobsessão, ou nos de longo curso, os perseguidores geralmente passam a seguir o médium que os vem “recebendo”, no intuito de o desviar da tarefa ou, quem sabe, por alguma ligação magnética que se estabeleça entre ambos. Certamente o Alto aproveita essa disposição como elemento de apoio para o trabalho. Por isso é tão importante que o medianeiro procure manter, o mais que possa, boa freqüência vibratória. O mesmo pode acontecer também com relação ao doutrinador.

 

Algumas sugestões:

 

a) Aprender a identificar influências negativas que lhe chegam e a não acolhê-las.

b) Acostumar-se a comandar os próprios estados de espírito, desenvolvendo sentimentos e emoções de afeto e de alegria, sempre sobre as bases da humildade. A ira, a irritação, a inveja, o ciúme, o ódio, o medo, os estados depressivos e outros assemelhados abrem brechas nas defesas espirituais deixando o médium mais à mercê dos obsessores; também geram resíduos magnéticos (usamos este termo na falta de outro mais adequado) que formam bloqueios no sistema energético, provocando inúmeros transtornos físicos e psíquicos.

c) Habituar-se a pensar, sentir e falar com amor. O amor é um sentimento que não se adquire apenas porque se quer. É resultado de longas jornadas evolutivas. Mas essa aquisição pode ser dinamizada através de esforço contínuo.

d) Lembrar-se de ser uma presença benéfica onde estiver.

e) Evitar assistir a filmes ou noticiários com cenas de violência ou horror. São imagens que permanecem por longo tempo vibrando no subconsciente, tanto assim que amiúde voltam à memória. É um tipo de vibração que abre canais para influenciação negativa.

f) Antes de dormir, é bom fazer alguma leitura de teor elevado, ouvir música relaxante, imaginar-se em algum plano mais elevado e fazer uma prece, pedindo orientação e proteção; visualizar a natureza, principalmente flores, ajuda a elevar a freqüência vibratória.

g) Sempre que lembrar, buscar o Alto pelo pensamento, numa vibração de afeto, confiança e gratidão. Mesmo que isto ocorra em instantes fugazes, abre ou ajuda a manter abertos os canais de ligação com os planos superiores, elevando o próprio teor vibratório.

h) Manter estado de espírito otimista, positivo, sem temor, dinamizando-o pela força de uma vontade firme e confiante.

  

Faculdades incomuns

 

Muitos médiuns suspiram por faculdades como a vidência, a psicografia mecânica, a capacidade de materializar espíritos ou aptidão para incorporá-los em atividades como as de cura, etc. Mas bem mais importante que a faculdade em si é a postura do médium ante a sua tarefa.

É fundamental aceitar a mediunidade com alegria e humildade. Uma mediunidade comum, cujo portador é sincero e honesto, equilibrado, responsável e dedicado, esforçando-se para cumprir da melhor forma possível a sua tarefa, tem muito mais valor para os espíritos responsáveis pelos trabalhos do que faculdades extraordinárias, cujo portador não as valoriza, ou não tem disciplina nem humildade, podendo mais facilmente cair nas teias de obsessores sagazes, que sabem aproveitar todas as brechas para introduzir a sua influência nefasta.

A mediunidade, para ser uma fonte de bênçãos, deve ser utilizada para servir, não para afagar egos. Enquanto se fica suspirando por faculdades incomuns, está-se perdendo tempo precioso e, com ele, oportunidades de serviço.

 

O melindre

 

O psiquismo do médium geralmente é mais sensível que o das outras pessoas. Isto acontece porque ele vive numa zona fronteiriça entre a dimensão material e a espiritual e esse contato com o outro lado, em maior ou menor proporção, interfere ou interage com os seus referencias de pessoa encarnada. Talvez por isso seja mais suscetível aos melindres, que são extremamente prejudiciais. Entretanto, é indispensável, para o seu próprio equilíbrio, que desenvolva humildade e paciência. Certamente encontrará em seu caminho a prepotência, o despeito, a má-fé, a má vontade, a calúnia e outras tantas agressões, e não é justo perder sua oportunidade de reajuste e evolução só para “responder à altura”, ou para preservar sua imagem perante os companheiros. Importa lembrar-se sempre de que a imagem que deve preservar acima de tudo é a de si mesmo diante da sua consciência.

Também há de precisar de muito autocontrole e serenidade, além da humildade, quando vir sua mediunidade questionada; quando perceber dúvidas sobre a sua sanidade mental; quando observar que está sendo visto como obsediado, ou quando lhe chamarem a atenção para erros ou falhas eventuais.

O orgulho e o melindre são seus piores inimigos nesses momentos. É muito difícil alguém ver a sua atuação questionada ou criticada por outrem e não sentir-se revoltado, humilhado ou frustrado.

Nessas circunstâncias, também pode começar a duvidar da própria mediunidade e essa desconfiança tende a crescer, ganhando visos de realidade a seus olhos e logo estará tão cheio de dúvidas que fechará inconscientemente seus canais mediúnicos, podendo pôr a perder uma tarefa promissora.

Em qualquer situação, portanto, o médium sábio não deve se exaltar, nem se ofender, nunca se melindrar, mesmo que esteja convencido de que as críticas que porventura lhe façam nada têm de verdadeiras.

Quantas vezes estamos certíssimos de algo que nos toca de perto e só mais tarde percebemos nosso erro? Os outros estão bem mais qualificados para nos observarem. Por isso é fundamental que o médium jamais se melindre com quaisquer observações, questionamentos, acusações ou críticas. Em vez disso, que procure analisar, observar e questionar a si mesmo; conversar com algum companheiro que poderá ajudá-lo a encontrar a sua verdade. Também é importante buscar orientação espiritual. Para isso, é necessário limpar o coração de quaisquer mágoas ou ressentimentos, relaxar, elevar o espírito para Deus e pedir, com toda humildade e sinceridade, a ajuda de que está necessitando.

Se a resposta do Alto, assim como seu coração, lhe disser que está certo, então siga firme e tranqüilo, sem se importar com os espinhos que lhe atirem, mas sempre vigilante para não cair em erro. E se observar erros em si mesmo ou em sua atuação mediúnica, procure corrigir-se, ou buscar auxílio, se for esse o caso, porque alguns processos obsessivos são muito sutis, necessitando de ajuda externa para sua solução. Não é vergonhoso um médium procurar ajuda junto a outros companheiros, quando entender necessário. Ao contrário, isto denota maior maturidade de sua parte.

O melindre, quando lhe damos acolhida, transforma-se num dos maiores obstáculos em nosso caminho. É incontável o número de medianeiros, com excelentes faculdades, comprometidos com tarefas de maior ou menor amplitude, que se afastaram por se melindrar, pondo a perder grandiosas oportunidades de resgate e crescimento.

Também a humildade é fundamental para o equilíbrio do medianeiro e seu bom desempenho no intercâmbio com o mundo espiritual. Mas isto não significa que deva anular a própria personalidade e deixar-se “humildemente” levar pelos que o querem conduzir. Como canal da outra dimensão para esta, precisa ter maturidade para ver, observar, analisar e agir de acordo com critérios corretos. Mas para isso é necessário um maior aprofundamento nos meandros da mediunidade e da dimensão espiritual que nos cerca. Esse aprofundamento implica em estudo (não só da codificação), experimentações em trabalhos práticos, espírito de pesquisa, avaliações constantes feitas pelos grupos, isenção de ânimo e abertura para observar novas realidades.

Ainda assim, é imprescindível que tudo isso seja feito sobre as bases do amor, da alteridade, da humildade e do equilíbrio, evitando-se sempre acreditar que se tem a última palavra.

 

 

Campo magnético carregado

 

Quando vamos diminuindo nossos momentos de leituras edificantes, de preces, vamos fragilizando nossas conexões com o Alto, entrando em zona de perigo, devido à maior imantação com a materialidade que carrega nosso campo magnético com energias mais densas, mais grosseiras.

É fácil observar como um campo magnético assim carregado nos prende a patamares inferiores, e nesses patamares nosso psiquismo passa a vibrar em conformidade com os conteúdos dessas dimensões. Quando isto acontece, nossos sentimentos e emoções passam a rejeitar tudo que diga respeito à espiritualidade mais alta, à religiosidade, aos superiores conceitos de vida, fazendo-nos sentir maior atração pelos prazeres da carne, pelas conversas menos edificantes, pelas mais variadas curtições e por aí afora. É como se os canais para a espiritualidade mais alta estivessem fechados.

É fácil então perceber por que tantas pessoas, inexplicavelmente, sofrem quedas espirituais, muitas vezes de impressionantes proporções, descendo a verdadeiros abismos da alma, onde é fácil cair, mas de onde é muito difícil e doloroso sair.

Muitas pessoas começam a se afastar das atividades espíritas por motivos variados e então se pode perceber como os seus focos vão mudando. As leituras de elevado teor vão perdendo totalmente o interesse, enquanto os assuntos inferiores ganham espaço.

 

Por isso é tão importante cultivar religiosidade.

 

 

Quando o médium está pronto?

 

Num dos grupos da Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo – ABRADE, via Internet, discutindo-se sobre mediunidade, foi proposta a seguinte questão: “Por quais indícios sabemos que a pessoa está pronta para participar das reuniões práticas?”

Vamos reproduzir uma das respostas que entendemos interessante e esclarecedora:

“Acredito que, para alguém ser admitido na atividade prática, precisamos pelo menos de alguns cuidados:

1 - Ele precisa ter sido instruído quanto ao fenômeno da mediunidade e seu funcionamento. Isso evitará a maioria dos mal-entendidos, traumas, medos, deslumbramentos e, por que não, idealização de possuir "dons" divinos, superioridade moral e espiritual sobre os demais companheiros, resguardando-o, dessa forma, de cair nas malhas do desequilíbrio mental, bem como do orgulho e da vaidade.

2 - Ele precisa ter sido ambientado na profunda e essencial finalidade de servir ao próximo, que é a mediunidade. Precisa ter, de fato, entendido a difícil prática da caridade representada pela cessão de seu organismo, através da passividade, para colocar-se a serviço do desconhecido que busca ajuda, seja ela por qualquer razão. A compreensão disso é fundamental. O médium precisa entender que é um servidor e que, como tal, tem responsabilidades, horários, disciplina... compromisso.

3 - Precisa estar trabalhando em prol do próximo para reforçar os dois princípios acima.
Quanto tempo de preparo? Acredito que depende de quão ostensiva e até difícil de segurar é sua mediunidade. Nos casos de mediunidade à flor da pele, o prazo de preparo precisa a meu ver ser reduzido para dar vazão à situação difícil e delicada vivida por essa pessoa, acompanhado, porém, de um grande respaldo dos mais experientes. Esta ação irá inclusive ensinar-lhe como disciplinar esta sua faculdade, de forma a reduzir a ocorrência de fenômenos fortuitos e em momentos indesejados para poder, então, completar a fase de formação teórica e o treinamento de seus valores morais, através da prática da caridade.”

 

 

Campeonato da Insensatez

 

A revista Reformador (Editora FEB - outubro/2006) traz um texto muito interessante do espírito Vianna de Carvalho, psicografia de Divaldo Franco, intitulado Campeonato da Insensatez.

 Ao falar sobre o exercício da mediunidade, Vianna de Carvalho diz que há centros espíritas que “substituem a simplicidade e espontaneidade dos fenômenos mediúnicos por constrições e diretrizes escolares que culminam, lamentavelmente, com a diplomação de médiuns e de doutrinadores, que também alcançam os patamares teológicos da autofascinação”.

 

Fala também sobre os inúmeros dirigentes espíritas bem intencionados, grandes trabalhadores, mas que criaram uma estrutura pedagógica nos centros espíritas que, pela sua sistemática e duração, impedem que pessoas que já "nasceram" médiuns não possam prontamente iniciar o exercício de suas faculdades. Antes precisam passar alguns anos pelos estudos doutrinários e por uma escola de médiuns. 

Certamente esses estudos e as escolas de médiuns são importantes. Mas a rigidez em relação à duração e ao método precisam sofrer a influência da FLEXIBILIZAÇÃO.

Há médiuns que chegam prontos na casa espírita. Por que adiar o seu trabalho e atuação forçando-os a primeiro se diplomar para só então estarem aptos a vivenciar suas faculdades?

 

Obras mediúnicas suspeitas

 

Ultimamente, tem-se visto muita polêmica e muitas críticas apontando erros de variadas naturezas em obras mediúnicas.

Em tais situações, nada melhor do que colocá-las em debate franco, aberto, fraterno e alteritário. Isto pode ser feito pela Internet ou em fóruns presenciais, mas ninguém deve se achar no direito de fechar questão, adjetivar negativamente, excluir, indexar... porque o importante é o esclarecimento para que cada um possa tirar suas próprias conclusões.

Esses debates também serviriam para os próprios médiuns se cuidarem mais, descerem dos pedestais onde muitos deles foram colocados; entenderem que são falíveis, que podem estar sendo influenciados por inimigos do bem, sutilmente mistificados...

Muitos médiuns começam suas atividades mediúnicas construindo seus ambientes internos sobre os alicerces da humildade, mas, quando começam a ser vistos com admiração, deixam que a vaidade tome conta. Isto é muito fácil acontecer. Quem não gosta de se ver cercado de admiradores, sentir-se prestigiado, ver seus livros (ou melhor, os livros que psicografou) vendidos e lidos em toda parte, despertando elogios e admiração?

Em situações assim, é muito fácil escorregar; começar a acreditar que a obra é sua e não dos espíritos; aceitar o aplauso como merecido e sentir-se cada vez mais satisfeito com a altura do pedestal em que foi colocado.

Com esse tipo de ambiente interior, fica bem mais fácil para os inimigos do bem conseguirem contato. Há espíritos inteligentíssimos, especialistas em se fazer passar por quem não são. Eles conseguem mudar a própria aparência e até mesmo a vibração (esta última, até certo ponto), visando enganar o médium. E quando este se encontra muito imbuído da própria importância, das suas qualidades como médium, da posição que passou a ocupar nos meios em que se insere, baixando com isso a própria freqüência vibratória, pode não perceber a diferença entre a presença do seu guia espiritual e a do mistificador. Este vai lhe insuflando cada vez mais idéias que lhe aumentem a vaidade e o orgulho. Esse pode ser um processo lento, mediante o qual o mistificador vai se aproximando mais e mais, passando a interferir na comunicação e chegando mesmo a substituir o guia espiritual. Isto muitas vezes acontece de forma tão sutil que só bons observadores conseguem perceber.

E não se pense que o seu guia espiritual interfere. Poderá fazê-lo sim, mas de forma indireta, sutil. A grande responsabilidade, sempre, é do próprio médium.

Por isso, toda obra que desperte polêmica deveria ser analisada e discutida abertamente não só pelos “especialistas no assunto”, mas por todos que a leram. Mas isto deve ser feito sem se fechar questão, sem aquele ar de ombudsman, de dono da verdade e, muito menos, da crítica ferrenha e antifraterna de que tantos se utilizam nos meios espíritas.

 

Nosso endereço de luz

 

Ao entrar na sua casa espírita, faça-o com a alma desarmada, serena. Elimine qualquer sentimento ou pensamento de crítica,

 mágoa, azedume ou amargura.

No trabalho mediúnico, é importante desenvolver um sentimento de humildade, de afeto e respeito pelos companheiros encarnados e desencarnados; ter a alma limpa e o coração cheio de fé.

 

Se você é “trabalhador da seara”, seja qual for a sua função, você é co-responsável pelo grupo ou centro em cujas atividades se encontra inserido. Por isso procure fazer o melhor que puder. Procure interessar-se não só pelas suas tarefas mas também por tudo que diga respeito ao grupo ou instituição, porque você é parte dele.

A casa espírita é também o seu endereço de luz. Se ela se encontra em situação sombria, procure desenvolver meios para iluminá-la. Lembre-se de que, quando algo realmente nos interessa, “movemos céu e terra” para consegui-lo. Assim, “movamos céu e terra” a fim de garantir as melhores condições possíveis para que o nosso endereço de luz possa cumprir sua missão.

 

 Prezado leitor, se você participa de trabalhos mediúnicos; se sente a necessidade de ampliar a abragência das suas atividades no universo da comunicação entre os dois mundos, sugerimos começar pelo estudo. Formar um grupo de estudos seria o ideal, por poder agregar diversos pontos de vista e conhecimentos diversificados.

No caso do estudo em grupo, uma parte do tempo pode ser utilizada para desenvolver percepções, iniciando-se com um relaxamento e visualizações de elevado teor.

Esses seriam, a meu ver, os primeiros passos na busca de novos rumos no trato com o mundo espiritual.

 

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